Arquivo para Dezembro, 2007

“Pirataria é crime? Às vezes…”

Mendigos e mendigas do meu país… Gostaria de poder falar de um assunto menos polêmico, como o lançamento de algum CD de forró ou as músicas do BR’OZ. Mas a pirataria é realmente o assunto do momento. O que me levou a esta reflexão foram as numerosas matérias e notícias, nas últimas semanas, sobre a destruição, pela justiça, de mais de 10 mil CDs piratas apreendidos no centro de Fortaleza (e isso por que foi só no centro, se “ajuntassem” com a Praia do Futuro, mais a praça da Lagoinha e mais aquelas barraquinhas em frente ao Iguatemi, o número seria o dobro).

De um lado temos que entender o desespero dos artistas e da indústria fonográfica. Dizem que no ano passado o prejuízo para a indústria musical por causa da pirataria chegou a US$ 300 milhões. E quem disse isso não fui eu, foi a ABPD – Associação Brasileira dos Produtores de Discos (pera lá!! Mas se eles produzem discos, por que estão preocupados com a falsificação de CDs? Brincadeirinha!!).

Muitos artistas da área musical têm se mobilizado contra essa indústria do crime cada vez maior no Ceará. Waldonys, Alcione, Lucinha Lins, Caetano Veloso, É o Tchan (ops, É o Tchan não, eu disse artistas de verdade, né?). E o direito autoral então… está perdido… é como se o artista perdesse sua obra, como se fosse roubado.

Agora, eu como músico profissional, também consigo perceber que não posso pagar 30 reais, às vezes até 40 reais, em um CD. Se nem a classe artística não tem dinheiro para comprar um CD original, imagina o resto da população, quase miserável em nosso país…

Vou salientar um fato cômico ocorrido nessa última destruição de CDs falsificados na cidade: Governador presente, autoridades da justiça, membros da intelectualidade musical local, todos a postos. Linda cena!! O caminhão com seu rolo compressor passa… que lindo… o povo aplaude… Porém, o caminhão não consegue destruir tudo, e com o fim da cerimônia quase ritualística, centenas de pessoas se amontoavam para pegar os CDs que ficaram intactos… Claro!! Até eu que sou mais besta!!

Se CD falsificado a 5 conto já é vantagem, imagine de graça??

Agora, sinceramente, destruir CDs piratas não vai acabar com a indústria do crime. É preciso uma força vinda das gravadoras e distribuidoras para tornar os CDs originais mais baratos, para que o povo possa comprar de verdade. Junto a isso, seria importante uma boa campanha publicitária que reforçasse esta ação. Se isso não for feito, podem morrer de destruir CD pirata, que não vai adiantar nada.

Uma coisa é certa, pirataria é crime, previsto pelo código penal nos artigos 186 e 184, e também desrespeita a lei 4376 na constituição e… Blá, Blá, Blá… Esta mesma constituição que não devia deixar o povo ser analfabeto, pobre, miserável, que não devia deixar criminosos políticos saírem ilesos etc etc etc.

Gente… Por favor… Deixem os muambeiros e camelôs venderem seus CDzinhos falsificados. Eles têm que alimentar os “comedorzim de rapadura”. Eu, enquanto for MenDigo, continuarei, infelizmente, comprando CD falso.

E você, compre também… desde que seja uma Elis Regina, um Tom Jobim, uma Cássia Eller, um Hermeto Pascoal, um Charlie Brown Jr., um Cazuza, um Legião Urbana, um Capital Inicial…

“Sobre Meninos e Lobos”

Celular, inimigo número 1 de qualquer lanterninha. Uma praga que parece se espalhar como “vírus” pelas salas de exibição, incomodando muito quem quer assistir o seu “filmim” sem ser incomodado. E o pior são “os diabo” das musiquinhas que tão cada vez mais variadas. Vão desde Mozart a “Libera o Tônho”, sem falar nos “Jingles Bells”, que estão tocando muito neste período do ano. Esse foi um dos assuntos mais discutidos na última reunião do Sindicato dos Lanterninhas de Fortaleza. Falamos demais sobre o mal dos celulares nos cinemas. Ah! E falamos muito também sobre o novo filme do Clint Eastwood: Sobre Meninos e Lobos.

Todo mês, nós, lanterninhas, nos reunimos para discutir os rumos da nossa profissão, que tá cada vez mais complicada com o surgimento dos multiplex. Como todos nós gostamos muito da primeira arte (pra gente é primeira!), falamos também sobre os filmes em cartaz na cidade. E o filme que mais falamos foi Sobre Meninos e Lobos, um dos prováveis indicados ao Oscar 2004. Cara, assim, ele é bom. Não é um filme inesquecível, mas é bom. Como os últimos filmes ganhadores da tal estatueta não foram nada excepcionais, ele passa legal e tem grandes chances de ganhar o Oscar de melhor filme.

Baseado no romance do escritor Dennis Lehane, o filme conta a história dos amigos Jimmy Markum (Sean Penn), Dave Boyle (Tim Robbins) e Sean Devine (Kevin Bacon). Dave, quando criança, passa por um terrível trauma que mudaria sua vida a partir dali. Adulto, ele se torna um dos suspeitos de ter matado a filha mais velha de seu amigo Jimmy. Sean, então um policial, é o encarregado de desvendar o crime. Bom, como cê viu, o enredo é muito bacaninha! Lembra um pouco aquele Sleepers – A Vingança Adormecida, mas aqui os personagens parecem mais reais. Os mocinhos de outros filmes são colocados de lado e o que vemos são meninos que se tornam lobos, e estão preparados para mostrar tanto suas virtudes quanto suas fragilidades.

O filme conta ainda com um elenco de apoio “doidêra”. Como se não bastasse já ter o trio Sean Penn (provável indicado a melhor ator), Tim Robbins e Kevin Bacon, você vai ver em cena Laurence Fishburne (o Morpheus), Marcia Gay Harden (Oscar de melhor atriz coadjuvante de 2001) e Laura Linney (O Show de Truman). Brinca! Um elenco primeira!

É, o filme agradou a maioria dos meus amigos lanterninhas. E parece que agradou também demais à crítica americana, que já aclamou o filme de Eastwood. O cara tá agora mais uma vez com tudo.

Ei, só mais uma coisa. Cientistas da Nasa confirmaram que atender celular dentro dos cinemas pode causar sérios danos cerebrais e tumores variados nas proximidades do ouvido. Por isso, cuidado! Não seja você mais uma vítima desse terrível mal que assola a humanidade.

“Missão impossível”

Salve, salve meus conterrâneos, leitores assíduos, ou apenas marinheiros de primeira viagem das colunas “Jornaleiros”. Mais uma vez, ou não, eu, Leo Lacerda, estou aqui para contar algum causo da vida, verídico, mas nem tanto, para que a gente se ligue um pouco mais nas coisas que acontecem ao nosso redor.

Deixando apresentações e ladainhas de lado, vamos ao que interessa: o causo!

Sexta-feira, 17h e eu estou me arrumando para ir à formatura de um Colégio, dos alunos que terminaram o ensino médio. Trocando em miúdos, que se livraram da Escola. Pois bem, como nós, Jornaleiros, estamos com tudo e não estamos prosa, eu fui convidado a essa festa para representar esses exemplares protótipos de comunicadores. Deixando os detalhes irrelevantes de lado, fiquei “chique no úrtimo”, já que era traje “sport-social-chique-staile-presença-playsagi”. Cheguei no buffet, muito bom por sinal, grande, com ar-condicionado, bonito, uma boate em cima, comida… Opa! Essa festa promete!

Eu costumo encarnar o personagem, e já que estava todo social, de sapato (logo eu que, como diriam meus amigos do Charlie Brown Jr.: “Odeio gente chique, eu não uso sapato…”), blazer, gravata e tudo o que manda o figurino, não podia faltar uma coisa: champanhe! Missão Impossível? Que nada “rapá”, esqueceu que eu sou um “Jornaleiro”?

Começa então a caçada a uma taça de champanhe, ou duas.

- Garçom, que bebidas tem aí?

- Tem cerveja, coquetel…

E eu mentalizando: “champanhe, champanhe…”

- Vinho branco, tinto, seco, molhado…

A mentalização continuava: “Quem se importa com vinho! Tô de blazer ô mané, quero champanhe!”

- Água e refrigerante, senhor.

Gostei do “senhor”, acho que é por que eu tava de gravata.

- Então traz um “refri” bem gelado.

E agora?! Acho que seria mesmo uma missão impossível. Como ia tomar champanhe sem ter champanhe? Não que eu seja um alcoólatra, mas eu queria só uma “tacinha”, ou duas, para comemorar aquele visual caprichado, o personagem, essas coisas. Nem espere me ver em alguma reunião dos AA.

E o protocolo rolando, professores discursando, alunos recebendo o “canudo”, diretor falando, e nada do meu champanhe. Até que na hora da confraternização dos ex-alunos, entram algumas taças especialmente para eles. Ah, fala sério, eu quero! E como quem quer arruma um jeito, lá vou eu!

Vou lá pro meio dos alunos e o cerimonialista me fala:

- Parabéns, formando!

Opa!!! Era ali mesmo que eu ia ficar, me confundiram com um formando.

- Tome sua taça de champanhe.

Ih, tava fácil demais. Mas quem se importa?!

Quando ia para o primeiro gole… HORA DA VALSA!!! “Valamideus”, uma menina me puxou e começamos: dois pra lá, três pra cá, quem disse que eu sei dançar? E meu copo balançava, balançava, e eu não derramava nada, de fazer inveja ao mais astuto dos equilibristas circenses. Mas o inevitável aconteceu: um outro casal, que também não sabia dançar, esbarrou em minha mão e… um dedo, apenas um dedo de champanhe no copo! Era minha única oportunidade, “era agora!” Soltei a menina no meio do salão e fui para aquele momento mágico: eu de blazer, gravata, sapato, tomando champanhe… Aaaaaaaaaaarriégua! Água tônica!!!!

- Mas eu confiei que era champanhe, seu cerimonialista.

- Contenção de gastos.

- Ah, também não sou formando.

Lá vou eu embora, sentindo que faltou alguma coisa na noite, mas ao mesmo tempo com a consciência tranqüila, pois voltei dirigindo, ou seja, não podia beber nem uma gota de champanhe. Sabe como é, álcool e volante não combinam. Bom, valeu a tentativa, pelo menos a comida tava boa, apesar da fila!

Moral da História: Uma frase que ouvi na festa: “Não confie em ninguém, e às vezes desconfie até de você mesmo…” Quanto mais em um copo com champanhe. Pode ter certeza: no máximo é uma Cidra…”

“Acústico do Zeca, aquele do pagodinho”

Olá navegantes e mendigos da rede, e todos, é claro, ouvintes de boa música… Venho através desta (pense na formalidade) falar sobre um assunto que vai girar não só na esfera musical, mas também na esfera da produção televisiva. Estou falando do Acústico MTV Zeca Pagodinho, que vai ao ar neste dia 21 de novembro pela emissora paulista. Show que foi gravado no Rio de Janeiro nos dias 9 e 10 de setembro.

Este especial tem tudo para ser histórico. Um dos motivos é que será o primeiro acústico de um legítimo sambista. Pera lá!!! Acústico de samba?? Parece uma redundância e tanto, porque o samba já é por natureza “desplugado”. Quero dizer: no samba não há guitarras distorcidas para virarem violões, ou batidas eletrônicas para se transformarem em percussão. O verdadeiro samba de raiz sempre foi feito de modo acústico, desde as batidas nas famosas caixinhas de fósforos ou na bateria de uma escola de samba.

Mas fazer um Acústico MTV não é só sair do elétrico, mas é também o momento para o artista experimentar e inovar. Nesse show a direção musical fica a cargo de Rildo Hora, que adicionou arranjos de cordas e orquestra, porém sem perder a tradição das músicas nem a irreverência de Zeca Pagodinho.

Vale a pena ressaltar a qualidade que os especiais Acústicos MTV vem mostrando nos últimos anos, não só musicalmente falando. O padrão dos cenários, da direção, e do apelo popular do programa são alguns dos exemplos de seus pontos fortes. Atualmente, o Acústico MTV para um músico é como uma premiação, como um reconhecimento da mídia, mostrando que o seu trabalho é realmente significativo na nossa MPB.

No repertório estão clássicos como “Quando Eu Contar”, “Vacilão” e “Verdade”. Além de “Vai Vadiar” e “Jura”, com a fantástica participação das vozes da Velha Guarda da Portela, que influenciou muito na carreira de Zeca Pagodinho. Têm também quatro novas faixas que ficaram de fora do último CD ao vivo. São elas: “O Penetra”, “Lá Vai Marola”, “Comunidade Carente” e “Pago Pra Ver”.

Além disso, dia 17 teve o programa Aquecimento do Acústico, que se tratou de um churrasco, ao estilo fundo de quintal, onde diversos artistas da Música Popular Brasileira estavam presentes para fazer uma prévia do que será o acústico, num clima bem “no stress”. Bom, nessa festa eu não pude ir, porque tava muito ocupado limpando os “vrido” dos carros na Av. Dom Luís.

Então dica do MenDigo: se na sua TV pega a MTV Brasil, não perca de modo algum o Acústico MTV Zeca Pagodinho. Na minha não pega… debaixo do viaduto num tenho TV.

Antes de me desconectar, quero dizer que temos que saber diferenciar o samba de qualidade, das porcarias que rolam por aí se julgando samba. Zeca Pagodinho, junto com Jorge Aragão, Fundo de Quintal, Leci Brandão, Jamelão, Martinho da Vila, Dudu Nobre, entre outros, representam o verdadeiro samba e não escondem nem simpatia e nem o orgulho de serem brasileiros.

“Matrix Revolution”

Ela tava lá! Ela tava lá! Uma das estréias mais aguardadas do ano estava para começar e aquela garota estava ali, na minha frente mais uma vez. Não sabia o nome, não sabia nada dela, mas havia me encantado desde o primeiro filme que ela foi assistir em uma de minhas sessões. É, mais uma vez ela tava lá! Só que também estava com o mesmo carinha ao seu lado.

Tá, vamos deixar um pouco de lado a Matrix Tentations (e quê tentação!) e falar do Matrix Revolutions, filme que fecha a saga dos irmãos “Wachoseiláoquê” (nomezinho complicado, em?). Olha, desculpem-me os saudosistas de ficções consagradas mais antigas, mas Matrix (o primeiro) é genial! Os mano “Seiláoquê” conseguiram criar um filme invejável, que esbanja em criatividade. É, mas a verdade é que agora vou ter que pedir desculpas aos fãs da saga, pois para mim os dois filmes que dão seqüência à série não são tão bons. São visualmente deslumbrantes, mas só isso não é suficiente para que um filme seja realmente legal.

O grande erro das seqüências foi talvez quererem incrementar demais uma história que começou bem bacana. Matrix tinha uma história amarrada, que surpreendeu a todos quando surgiu. Deixaram tudo meio confuso e abusaram em lutas e efeitos especiais. Em Matrix Revolutions, mais uma vez se peca pela falta de originalidade. E isso me indigna, sabia? Poxa, em vez de seguirem a linha do primeiro, que inovou e já se tornou um clássico cinema, preferiram fazer mais um filme “pipoca” (e isso vale para o segundo também), feito para faturar e tentar agradar ao grande público. Nada contra os “pipocões”! Mas aqui estamos falando de Matrix.

Revolutions começa exatamente onde o Reloaded terminou. Bom, aqui o Neo (Keanu Reeves) continua a ser a grande esperança da humanidade. Enquanto milhares de máquinas seguem rumo à cidade de Zion, para dar um fim ao último reduto da resistência humana, o predestinado junta-se ao seu grande amor (Trinity, Carrie-Anne Moss) para salvar a todos. Por falar em grande amor, e aquela garota, em? Ahh… Wake up! Voltemos ao filme! Falar mais o quê? Morpheus (Laurence Fishburne) é inexpressivo tamanho o número de personagens que acrescentaram. Os robôs usados pelos humanos para lutarem contra as máquinas lembram muito aquele robô usado pelo James Cameron em Alien – O Resgate. Enfim, o filme é um desperdício! Pra quem curte filme de ação, dá pra ir e se divertir um “bucadim”, pros que estavam aguardando ansiosos por esta continuação, vão ver. Talvez até gostem. Eu não gostei muito.

Sim, deixa eu contar uma coisa procês. Não fiquei com a garota depois do filme. Até por que não dava, ela tava acompanhada. Mas diz aí que quando fui dar uma geral nas cadeiras depois da sessão tinha um bilhetinho pra mim na cadeira que ela tava sentada. O bilhete dizia o seguinte: “Lanterninha, adoro seus textos no zuera!” É, parece que a gata eu não ganhei, mas ganhei uma fã.

“Essa tal velha infância”

Psiu! Você aí! É, você mesmo que tá lendo esta humilde coluna. Sabe o que é “soltar pipa”? Brincar com os “Comandos em Ação”? “Esconde-esconde”? Bom, saber o que é tudo isso você pode até saber, mas já fez alguma dessas coisas? Se a resposta foi “sim”, meus parabéns, você fez parte da última infância longe de máquinas e jogos eletrônicos. Se sua resposta foi “não”, leia esta coluna duas vezes!

No mínimo, você está querendo saber o porquê desse início de coluna e, como sempre, eu digo: no fim do texto tudo será explicado!

Continuando minhas andanças por Manaus, cidade que estou passando um tempo, apareceu a oportunidade de conhecer uma cidade do interior chamada Presidente Figueiredo, há mais ou menos 100km da capital. Uma cidadezinha muito bonita, com cachoeiras, pedras e uma vegetação que lembra muito as Serras aí do Ceará.

Bom, como em toda viagem, cedinho já estava pronto, de mochila nas costas, sem saber direito aonde estava indo. Conhecia a cidade só dos outros falarem, e sempre fui curioso para conhecê-la. E seria naquele dia! Abasteci o carro, passei nas “Drogarias Ponto Certo” (é, agora os Jornaleiros estão com mais moral, até merchandising a gente tá fazendo!) e peguei estrada. Paisagens e mais paisagens ao meu redor: montanhas, rios, florestas; e nada de chegar na cidade.

Já estava “aguniado”, quando finalmente cheguei na cachoeira! Pô, que show! Só isso o que tenho a falar: corredeiras, cavernas, grutas, pedras, árvores… tudo o que criança gosta, pelo menos as crianças da minha época. Não deu outra, saí escalando as pedras, andando pelas trilhas, cortando caminho pelos rios, um lance bem “desbravando os caminhos da Amazônia” mesmo! E é claro que não fazia isso sozinho, afinal não conhecia a cidade e a qualquer momento uma onça podia aparecer e fazer de mim um almoço (isso não foi uma piada, mas um fato). Fui com uma galera que já conhecia Presidente Figueiredo. Aproveitando a oportunidade: valeu moçada!

Bom, depois de escaladas pra lá, trilhas pra cá, pulos no rio, dentre muitas outras coisas, já estava pensando: “Caramba, me lembro de já ter feito tudo isso…”. Mas foi quando subi em uma árvore só pelo simples prazer de subir em uma árvore que tive a certeza: “É, tive uma infância!!!” E parece que tava revivendo… que sorte a minha!

Agora você já está entendendo a introdução desta coluna, né? Passei um dia me divertindo à beça. Pena que foi só por um dia! Mas vi o quanto me divertia! E eu achando que esses tempos não voltavam mais… Mas o bom mesmo foi ir para um canto que lembra as Serras do Ceará, ou seja, lembrar da minha terra querida! E por falar em clima de Serra: Ei MenDigo, quando que você vai falar do “Grande Encontro” (Geraldo Azevedo, Elba Ramalho, Zé Ramalho e Alceu Valença)?!

Moral da história: Se você não sabe o que é “Os Goonies”, “Mamonas Assassinas”, “Playmobil”, “Forte Apache”, “Vovó Mafalda”, “Fofão”, “Nossa Turma (Montgomery, o Zíper, entre outros)”, “O Mundo de Bieckman” e outras coisas que o momento me deixa esquecer… “pane no sistema, alguém me desconfigurou… aonde estão meus olhos de robô? (…)!”

“Maria, Maria! Me encanta a Rita!”

MenDigo na área, mais uma vez falando de música, nessa coluna que é uma verdadeira esmola para os flagelados de cultura. Estive conversando com meu colega jornaleiro Leo, o Mochilante, sobre o assunto da minha segunda coluna, e ele me disse: “Cara, fala da Maria Rita…e tal”. Aí eu fiquei emocionado, porque eu estou simplesmente APAIXONADO pela Maria Rita Mariano… É um sonho se realizando: falar sobre a filha da melhor cantora da MPB, Elis Regina (e eu digo isso sem nem conhecer, porque quando eu nasci ela já tinha “vazado”, “partido dessa pra uma melhor”, “batido as botas”, e Maria Rita tinha apenas 4 aninhos).

Maria Rita não é só filha de Elis, porque pra você nascer há também a necessidade biológica de um pai e seu gameta masculino. E nada mais musical do que ter um pai como César Camargo Mariano, pianista de grande importância no cenário da Bossa Nova e da MPB. César é até, injustamente, meio esquecido pela mídia.

Mídia, aliás, que está totalmente ao lado de Maria Rita, todo seu lançamento, todo o suspense, toda a propaganda feita em cima dela. Tudo parece premeditado como uma grande estratégia. A exemplo disso temos a Globo que botou o programa ESPECIAL MARIA RITA no domingo de madrugada depois do filme do Charles Bronson, no DOMINGO MAIOR. Na segunda-feira seguinte todos se perguntavam:

- Você assistiu o especial da Maria Rita?

Aí o Fulano:

- Não!!

O outro Ciclano:

- Nem eu…

Aí o Beltrano:

- Eu também não vi!

E o MenDigo aqui também não viu. E você, viu?? Ninguém viu!!! Com isso, a Globo conseguiu um fenômeno: todos falavam de um programa que não foi visto. Isso fica no inconsciente do povo e todos começam a comprar o CD dela, querendo ouvir o que não assistiram no domingo. Resultado: seu CD “Maria Rita” já é Disco de Ouro.

Maria Rita mostra nesse CD um trabalho sólido, com canções como ”Agora Só Falta Você”, duo de Luiz Sérgio e Rita Lee. Ela também apresenta novos talentos também na área de compositores. Encanta ao dar voz às letras de Marcelo Camelo, do Los Hermanos, em ”Cara Valente”, ”Santa Chuva” e ”Veja Bem Meu Bem”. Há novidades como ”Menina da Lua”, de Renato Mota, e ”Cupido”, de Cláudio Lins.

Deixar de ser a “filha da Elis” para ser “Maria Rita” vai ser um grande desafio, que já está sendo vencido. Talento ela tem de sobra e seu DNA ajuda muito. Isso, somado ao apoio da mídia, tem tudo para dar a ela condições de ser um sucesso que vai durar por anos. Desejo que atrás dela venham muitos outros talentos da MPB, e que os meios de comunicação acordem de vez para a boa música.

É como eu sempre digo: o mundo gira. A mídia que criou a Lambada, divulgou o Axé e o Forró, e impregnou com o Pagode e o Funk, pode estar agora apoiando uma Nova MPB. Aquele abraço pra vocês que ficam, porque agora eu vou ver se arranjo uma esmolinha pra comprar um pão carioquinha.

“Os vigaristas”

Voltei! Márcio, o lanterninha, tá de volta. Continuo na minha árdua luta para exterminar das salas de cinema os mijões perdidos, os narradores de plantão e grupinhos teens pentelhos. Tudo para que você possa assistir ao seu filme na mais santa paz; e eu também.

Atualmente, tô “lanternando” um filme chamado Os Vigaristas, adaptação do livro de um tal de Eric Garcia. Não conheço o autor do livro, mas o filme é bem bacana. Se você tá a fim de ir ao cinema e rola uma dúvida de qual filme assistir, vai nesse sem medo. Tem uma boa história, cheia de reviravoltas, e ninguém menos que Nicolas Cage como protagonista.

Ei, cê ouviu direito? Um filme com Nicolas Cage! Esse cara no elenco já é meio caminho andado para a diversão garantida. E olha o personagem que ele faz: um vigarista hipocondríaco, movido a pílulas, cheio de tiques e manias. Só véi! É curioso e ao mesmo tempo engraçado ver a obsessão dele pela limpeza do carpete ou as piscadas incontroláveis de olho, olho, olho. Desculpa, um tique.

Em Os Vigaristas, Roy (Cage) e Frank (Sam Rockwell) são parceiros na arte da pilantragem. Os dois vivem de enganar os outros e tiram um bom dinheiro disso. Tudo corre mais ou menos bem até que surge, tirando os tiques de Cage, a surpresa mais agradável do filme: Alison Lohman, uma atriz de 24 anos que faz o papel de uma adolescente de 14. Ei, a menina arrebenta! Ela faz a filha que Cage não conhecia e que agora tá virando a vida dele de cabeça pra baixo. E isso é o mais legal no filme. A chance de poder ver o relacionamento improvável entre um pilantra gente boa esquisitão e uma adolescente que foge de casa pra poder conhecer o pai que não conhecia.

Quer mais? O filme tem a direção de Ridley Scott. Sim, aquele mesmo carinha que dirigiu o ganhador do Oscar Gladiador. Fez também Alien e Blade Runner e agora tá apostando nessa produção modesta. Modesta, mas divertida. Dá uma olhada que você não vai se arrepender.

Pra fechar, recadinho para os vigaristas que fazem questão de ir ao cinema só pra baldear. Ó, tô de olho, olho, olho em vocês. Vixe!

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