Jornaleiros

“Missão impossível”

Dezembro 9, 2007 · Deixe um comentário

Salve, salve meus conterrâneos, leitores assíduos, ou apenas marinheiros de primeira viagem das colunas “Jornaleiros”. Mais uma vez, ou não, eu, Leo Lacerda, estou aqui para contar algum causo da vida, verídico, mas nem tanto, para que a gente se ligue um pouco mais nas coisas que acontecem ao nosso redor.

Deixando apresentações e ladainhas de lado, vamos ao que interessa: o causo!

Sexta-feira, 17h e eu estou me arrumando para ir à formatura de um Colégio, dos alunos que terminaram o ensino médio. Trocando em miúdos, que se livraram da Escola. Pois bem, como nós, Jornaleiros, estamos com tudo e não estamos prosa, eu fui convidado a essa festa para representar esses exemplares protótipos de comunicadores. Deixando os detalhes irrelevantes de lado, fiquei “chique no úrtimo”, já que era traje “sport-social-chique-staile-presença-playsagi”. Cheguei no buffet, muito bom por sinal, grande, com ar-condicionado, bonito, uma boate em cima, comida… Opa! Essa festa promete!

Eu costumo encarnar o personagem, e já que estava todo social, de sapato (logo eu que, como diriam meus amigos do Charlie Brown Jr.: “Odeio gente chique, eu não uso sapato…”), blazer, gravata e tudo o que manda o figurino, não podia faltar uma coisa: champanhe! Missão Impossível? Que nada “rapá”, esqueceu que eu sou um “Jornaleiro”?

Começa então a caçada a uma taça de champanhe, ou duas.

- Garçom, que bebidas tem aí?

- Tem cerveja, coquetel…

E eu mentalizando: “champanhe, champanhe…”

- Vinho branco, tinto, seco, molhado…

A mentalização continuava: “Quem se importa com vinho! Tô de blazer ô mané, quero champanhe!”

- Água e refrigerante, senhor.

Gostei do “senhor”, acho que é por que eu tava de gravata.

- Então traz um “refri” bem gelado.

E agora?! Acho que seria mesmo uma missão impossível. Como ia tomar champanhe sem ter champanhe? Não que eu seja um alcoólatra, mas eu queria só uma “tacinha”, ou duas, para comemorar aquele visual caprichado, o personagem, essas coisas. Nem espere me ver em alguma reunião dos AA.

E o protocolo rolando, professores discursando, alunos recebendo o “canudo”, diretor falando, e nada do meu champanhe. Até que na hora da confraternização dos ex-alunos, entram algumas taças especialmente para eles. Ah, fala sério, eu quero! E como quem quer arruma um jeito, lá vou eu!

Vou lá pro meio dos alunos e o cerimonialista me fala:

- Parabéns, formando!

Opa!!! Era ali mesmo que eu ia ficar, me confundiram com um formando.

- Tome sua taça de champanhe.

Ih, tava fácil demais. Mas quem se importa?!

Quando ia para o primeiro gole… HORA DA VALSA!!! “Valamideus”, uma menina me puxou e começamos: dois pra lá, três pra cá, quem disse que eu sei dançar? E meu copo balançava, balançava, e eu não derramava nada, de fazer inveja ao mais astuto dos equilibristas circenses. Mas o inevitável aconteceu: um outro casal, que também não sabia dançar, esbarrou em minha mão e… um dedo, apenas um dedo de champanhe no copo! Era minha única oportunidade, “era agora!” Soltei a menina no meio do salão e fui para aquele momento mágico: eu de blazer, gravata, sapato, tomando champanhe… Aaaaaaaaaaarriégua! Água tônica!!!!

- Mas eu confiei que era champanhe, seu cerimonialista.

- Contenção de gastos.

- Ah, também não sou formando.

Lá vou eu embora, sentindo que faltou alguma coisa na noite, mas ao mesmo tempo com a consciência tranqüila, pois voltei dirigindo, ou seja, não podia beber nem uma gota de champanhe. Sabe como é, álcool e volante não combinam. Bom, valeu a tentativa, pelo menos a comida tava boa, apesar da fila!

Moral da História: Uma frase que ouvi na festa: “Não confie em ninguém, e às vezes desconfie até de você mesmo…” Quanto mais em um copo com champanhe. Pode ter certeza: no máximo é uma Cidra…”

Categorias: Causos de um mochileiro · Colunas
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