Arquivo para Janeiro, 2008

“Então é Natal… de novo!”

“Então é Natal, a festa cristã, o velho e o novo…” Aliás, novo é o que não há no Natal, ainda mais quando a área analisada é a música natalina. Não há época do ano em que os clichês mais se repetem por um “espírito natalino” piegas, pois só é lembrado no Natal, quando na verdade deveria ser lembrado o ano todo. Mas se assim fosse, não seria “espírito natalino”.

Então, me lembro daquele velho vinil (é o novo) do vovô. Na capa, várias bolas de colocar nas árvores de natal e um velho graveto de pinheiro solto entre elas. No conteúdo do velho LP estavam as mesmas músicas que hoje povoam as propagandas de lojas de eletrodomésticos, roupas e produtos que podem ser parcelados até o próximo Natal.

É verdade que essas músicas só tocam nesta época. E ainda bem. Não há quem agüente mais do que 1 mês ouvindo. “Noite Feliz”, “Jiggle Bells” e “Pinheirinhos” são os hits que todo dezembro comandam as paradas de sucesso. Mas se você pensa que não há algo pior está enganado. Muito pior do que ser um pacato cidadão é ser coralista. Os cantores de coral em dezembro só faltam entrar em pane total e procurar um psiquiatra. As canções de Mozart, Bach e Villa-Lobos dão lugar a músicas que dizem “Pinheirinhos, que alegria, tra lá lá lá lá lá lá lá lá / Sinos tocam, noite e dia, tra lá lá lá lá lá lá lá lá”. É como se todo um levantamento de repertório durante o ano perdesse o valor. Não é à toa que muitos corais têm o seu contingente diminuído significativamente depois do Natal.

A versão da música de Elton John, gravada pela cantora Simone, é realmente uma das mais estranhas. Por outro lado, sua melodia cumpre a função, gruda no ouvido como chiclete e quando você menos percebe já está cantarolando.

Há uns 3 anos, Ivan Lins apareceu com uma inovação que em 3 dias ficou tão enjoativa quanto as outras, porque tocou demais. A música tinha uma levada latina, meio salsa cantada em espanhol, e dizia “Feliz Natividad”, ou seja, “E um feliz Natal” … “e um ano novo também” … Ahhhh!! Tá vendo, já estou eu cantarolando a versão da Simone.

Isso quer dizer que nenhum artista inova na época de Natal? Não é verdade. A cantora Diana Krall lançou em dezembro o álbum “Christmas Songs”, com 12 hits de natalinos. Com arranjos jazzísticos, Diana Krall e seu fantástico time de músicos fez o que parecia impossível: deixar as canções de Natal com um tom suave e agradável. Conclusão, o CD está vendendo mais do que brinquedinho de amigo secreto de 1,99. Dizem até que o Papai Noel está pirateando os CDs para suprir os pedidos de cartinhas que recebe dizendo: “PAPAI NOEL! POR FAVOR, ME DÊ O CD DA DIANA KRALL, PORQUE EU NÃO AGUENTO MAIS A SIMONE!”

“Então é Natal” e nesta época devemos comprar presentes, devemos mesmo, e como devemos. É muita dívida. Portanto, uma boa dica de presente é um CD da Diana Krall, que custa hoje R$ 45. Se você não tiver esse dinheiro todo, faça como eu. Recorra as prateleiras de cds do Extra! Tem Chico Buarque por R$ 9,99.

Se você agüentou o meu desabafo até aqui, parabéns! Tenha um Feliz Natal, mas prometa a si mesmo que dia 31 de dezembro você não vai cantar “Adeus ano velho / feliz ano novo / que tudo se realize / no ano que vai nascer / muito dinheiro no bolso / saúde pra dar e vender…”

Nota: Esta matéria era para ter sido veiculada no mês de dezembro, mas como o Leo estava em Pipa-RN e as matérias têm que ser enviadas juntas, não foi possível. Valeu Leo!

“King Kong”

Seguinte, se vocês estiverem lendo agora está matéria, isso prova que existe liberdade de expressão e que o Seu Badaleiro não censurou o que escrevi. Estas palavras estão sendo redigidas às 2h30 da madrugada, de um laptop que eu achei na festa de reveillon mais “badalada” da cidade.

Certo, que tal um feliz 2006 pra começar, né? Que toda a galera que lê as minhas matérias tenha um ano de muita pipoca e ótimos filmes. Onde estou? Cara, tô na festa que o Seu Badaleiro organizou para entrar o ano. Tá todo mundo que trabalha pra ele aqui, mas o “homi” me chamou pra pegar no batente. Sacanagem! Pô, mesinha pros Jornaleiros, o Mendigo e o Leo só curtindo e eu tendo que trabalhar de lanterninha numa sessão especial que a Dona Badaleira inventou pra mostrar a sala de cinema que o maridão fez pra ela.

Quer mais? A Dona Badaleira alugou o King Kong de 76 achando que era a versão do Peter Jackson e só ficou mesmo na sala a meninada, que tava ali, claro, pra bagunçar.

Já que o assunto é King Kong, vou logo dizendo que o que está nos cinemas foi pra mim um pouco decepcionante. Não o “gorilão”, que é interpretado de forma brilhante pelo Andy “Gollum” Serkis, através dos mesmos efeitos especiais utilizados no Senhor dos Anéis. O problema foi mais mesmo na construção da história, que tem um começo meio cansativo, cheio de cenas desnecessárias e personagens secundários dispensáveis. Quando o Kong aparece e conhece a bela Ann Darrow (Naomi Watts), o negócio melhora, e eles então protagonizam as cenas mais emocionantes do filme. O problema é que elas não são suficientes para torná-lo inesquecível.

O filme peca também em outro detalhe, deixa pouco tempo para explorar o bicho na cidade, optando por concentrar maior parte da aventura em sua ilha natal, cheia de nativos hostis, insetos gigantes e animais pré-históricos. Estas e outras pequenas falhas, somando-se a isso minha expectativa, acabaram fazendo com que este texto fosse um desestimulo para ir ver o novo King Kong nos cinemas. Se é que eu ainda posso melhorar isso, vale dizer que além de Naomi Watts (21 Gramas), o filme tem Jack Black (Escola do Rock) e Adrien Brody (O Pianista) muito bem em seus papéis, apesar do romance do último com a mocinha não convencer muito.

Voltemos à festa então. Olha Seu Badaleiro, apesar de tudo, eu ainda lhe desejo um ótimo ano novo. Que o senhor e sua esposa tenham um 2006 repleto de filmes tão bons quanto os da Xuxa e do Didi.

Nota: Esta matéria era para ter sido veiculada no mês de janeiro, mas como o Leo voltou pra Pipa-RN depois do Reveillon e as matérias têm que ser enviadas juntas, não foi possível. Valeu Leo!

“O universo paralelo do top-less”

O bom de estar em João Pessoa, além das praias tranqüilas, povo hospitaleiro, mulheres bonitas, lindas, totalmente excelentes… me esqueci o que eu tava falando… ah, o bom de estar em João Pessoa é que você está perto de muito canto bacana, tipo Recife, Olinda, Campina Grande, Natal e Pipa!

Peguei minha mochila e fui pra estrada: pedir carona! Éramos eu, o Side, e as duas loucas (Ina e Ina) que não paravam de tirar fotos. Pra variar um pouco, ninguém parava pra dar carona, quando de repente, não mais que de repente, eis que pára o último ônibus que eu esperaria parar: o “cambão” do Mastruz com Leite! Na verdade, eles pararam pra pedir informação, mas quando ouviram eu falando “arriégua”, me reconheceram logo como cearense. Aí já viu né, nós, cearenses, embuídos em nosso plano de dominar o mundo, nos ajudamos em qualquer circunstância. Entramos no ônibus, que estava lotado por sinal, e fomos rumo à Pipa!

- Ônibus lotado, hein?

- É mesmo! E olha que aqui é só o ônibus dos vocalistas, ainda tem o dos músicos, o dos dançarinos e o dos produtores.

- Só isso?!

- É, a gente demitiu metade da banda semana passada.

(Eu estava sendo sarcástico na última pergunta).

Até que enfim chegamos em Pipa! Não pela beleza do lugar, é que eu não agüentava mais aquela mulher cantando “Oh meu vaqueiro meu peão… conquistou meu coração.. uô uô…”.

Que vista! A gente tava em cima de um paredão, vendo aquele marzão azul! O mar cheio de pedras. Gostei de lá, apesar de ter um monte de praia cearense igualzinha! E foi olhando aquele marzão que filosofei: “Triste daquele que nunca viu o mar… mais triste ainda quem nunca viu aquela mulher fazendo “top-less” que desapareceu atrás de um paredão de pedras!!!” O que era aquilo?! Será que era uma espécie de universo paralelo onde todas as mulheres fazem “top-less”?! Eu tinha que descobrir.

As duas “Inas” ficaram lá na praia que a gente tava enquanto eu e o Side fomos atrás desse universo paralelo do “top-less”. Elas já estavam de olho em outro recorde: maior número de fotos pegando “jacaré” na mesma onda, uma coisa assim. Vai entender!

Eu e o Side escalamos pedras, descemos outras, fomos um pouco pelo mar e não chegávamos nesse “universo paralelo blá-blá-blá”. Mas foi quando pegamos carona com golfinhos neo-zelandêzes que passavam por ali que conseguimos chegar no maravilhoso, esplendoroso, ímpar “Universo Paralelo do Top-less”. Parece até nome de filme. Mas o que importa é que estávamos lá, vendo toda aquela paisagem.

A gente tava escondido atrás de uma pedra, vendo tudo, até que de repente todas as mulheres vieram correndo em nossa direção, todas rindo, felizes, era minha hora! Eu e o Side fomos na direção delas de braços abertos. Pela nossas contas, cada um abraçava umas 5 de uma só vez e estávamos conversados. Tava tudo correndo bem, pelo menos até um carinha lá gritar:

- CORTA!!! Quem são esses idiotas no meu “set” de filmagem?!?!?!

É, foi um dia e tanto! Conhecemos a galera do filme, fizemos amizade com todo mundo. O diretor até mudou o nome do filme, que era “SOS Pipa: As Salva-vidas Sem Biquini” para “O Universo Paralelo do Top-less”. Inclusive, eu e o Side aparecemos em uma parte do filme. Se tiver interessado (a) em ver, basta ir na locadora mais próxima e procurar na seção “Ficção” ou “Comédia Romântica”.

Moral da história: Se as meninas (as duas “Inas”) tivessem ido com a gente pro “universo paralelo blá-blá-blá”, eu tinha tirado fotos na máquina delas e colocado aqui na coluna pra vocês verem! Vão ter que alugar o filme!

Nota: Foi mal galera!

“Música no tapa”

Bom, antes de mais nada, queria dizer que acabou a greve dos Jornaleiros. Eu continuo a minha…greve de fome! Essa por que tá difícil cair grana na minha mão. Mas besteira, sempre sobra uma pipoquinha no carrinho do Seu Arlindo. Tudo certo!

- Você tá bem? – gritou um transeunte que me viu vagando pelas ruas do centro pedindo esmolas. Para pelo menos fazer algo de útil estava batucando com meu corpo, boca, palmas e pés. Fazendo música.

Às vezes eu passo o tempo fazendo batucada. Você já se pegou fazendo isso? Bater palmas, bater no corpo, com único e expressivo sentido de fazer música, criar. Muito provavelmente, a música surgiu da necessidade de criar e comunicar ao mesmo tempo. Organizar os sons de modo interessante, musical e com técnica é o que faz o grupo paulista “Barbatuques”.

Por incrível que pareça, eu conheci esse grupo quando estudava música em São Paulo. Na ocasião o “Barba” estava ministrando mais uma de suas oficinas. Ele nem deve se lembrar de mim. O mentor e pesquisador Fernando Barboza, vulgo “Barba”, desde 1988 se diverte com suas pesquisas na área de percussão corporal. O que era diversão acabou virando coisa séria. Em 97 Fernando funda o grupo “Barbatuques”, inicialmente apenas com alunos de suas oficinas de percussão corporal. Após tocar em alguns shows de músicos consagrados, o projeto “Barbatuques” ganhou maior rePERCUSSÃO (se é que me entendem).

A última façanha do grupo foi entrar na coletânea “Cartografia Musicall – O Brasil em 9 CDs”, dentro do projeto “Itaú Rumos Cultural”. O projeto promove a música independente, dando mais “volume” aos que tanto produzem e aparecem pouco. Nesta caixa, sete CDs contêm os músicos premiados pelo prêmio “Rumos Música”, enquanto os outros dois são dedicados às audioficções premiadas. Um painel sonoro plural, aliás, singular em sua pluralidade está à sua disposição.

A caixa custa o “miserê” de R$ 149,00. É pouco, perto do sacrifício que fazem os músicos ao criar e produzir, a tapas bordoadas literalmente, uma música fora dos padrões que se está acostumado. Porém, nestes CDs não há nenhum cearense. O coordenador do programa na área musical, Edson Natale, diz “não saber ao certo o motivo, mas houveram poucos inscritos do estado do Ceará”. Fica então mais um alerta: talvez falte fé ou mais loucura aos músicos locais, e nesta crítica me incluo.

Palmas, tapas nas costas, nas coxas, língua fazendo “zuada” no céu da boca, isto não é loucura. É música! Por isso, ao ver alguém na lanchonete ou no ponto de ônibus se batendo você pode diagnosticar duas coisas. Ou ele é um músico ou tem talento para tal profissão, ou então está infestado de muriçocas. Caso verifique a segunda opção, ajude-o. Caso verifique a primeira opção, ajude-o também. Dê um real a ele para que (pro)siga a carreira de músico. Palmas para os “Barbatuques”.

“2 Filhos de Francisco no Oscar”

Tá decidido! A greve dos Jornaleiros acabou, mas eu vou deixar de ser lanterninha! Vou vender minha lanterna Big Light importada e dar de entrada numa sanfona. Se com o Zezé deu certo, por que comigo num haverá de dar? Já falei até com meu amigo Tico, o Tiquim. Ele disse pra mim que tem como arrumar um violão véi no preço lá no Armandinho Miudezas. É nóis!

Toda essa empolgação é por causa do filme brasileiro indicado para seletiva mundial do Oscar: 2 Filhos de Francisco. Um filme que, apesar do que muitos podem pensar, tem suas qualidades.

“Optamos pela emoção. E também por ser uma história extremamente brasileira, com toque universal”, disse o tal do Ewald Filho, aquele cara da barbinha engraçada, crítico e membro do júri que indicou o filme à Academia de Hollywood pra disputar uma das cinco indicações ao prêmio de Melhor Filme Estrangeiro.

A verdade é que a história de Zezé di Camargo e Luciano contada no cinema tem realmente esse apelo mais emocional, mas o diretor Breno Silveira não se entrega a soluções fáceis, fazendo um negócio enxutinho, sem cair na pieguice tão esperada em trabalhos como esse.

Poxa, tem momentos realmente comoventes no filme, como uma cena em que o Seu Francisco (papel da vida do ator Ângelo Antônio) brinca de acender e apagar a luz de casa para tentar desviar a atenção de suas crianças da situação sofrível na qual estavam passando no momento. Aliás, por falar em crianças, o melhor do filme é a sua primeira metade, quando somos apresentados aos dois filhos de Francisco, Mirosmar e Emival. Com as belas atuações iniciais, o filme acaba perdendo consideravelmente em sua segunda metade.

Galera, mas é o seguinte, num tô querendo dizer aqui que este é o filme mais legal da recente safra de brasileiros. Cidade de Deus, por exemplo, é disparado melhor. E nem que o diabo do Oscar é referência de qualidade ou não. O fato é que 2 Filhos de Francisco merece os elogios que vem recebendo dos brasileiros e, quem sabe, não arranca também alguns elogios fora do Brasil? Eu e o Tiquim estamos ansiosos pra ver no que isso vai dar. Já pensou se com o sucesso inventarem de fazer A Neta de Francisco. Eita, apelação!

“Onde está o Toy?”

Até que enfim voltamos a escrever. Já não aguentava mais essa greve dos Jornaleiros em prol de mais polpa nos copos de suco, menos álcool na gasolina e menos fotossensores pela cidade! Como de costume, não conseguimos nada, mas o Sr. Badaleiro deu um ultimato e voltamos a escrever. Ufa!

Onde eu parei mesmo na outra coluna? Ah, tinha acabado de chegar em João Pessoa. Mas não passa táxi por essa rodoviária não? Até porque eu ainda tenho que ver se tem troco pra 50 reais. Êpa, cadê minha carteira?! Esqueci em um dos 3 ônibus que peguei.

Agora eu era um liso em João Pessoa! Essas coisas costumam acontecer quando a gente menos precisa. Pode ver que quando você vai a uma loja cheio da grana nunca tem a camisa que você realmente quer. Mas quando está somente passeando, sem carteira, a camisa está na vitrine! E quando entra pra reservar:

- Desculpe, mas aquele cliente está comprando nesse exato minuto!

Assim não dá! Assim não pode! Espera aí, que cartaz é aquele na parede? “Procura-se poodle. Atende pelo nome de Toy. Recompensamos!”

Toy era o nome da minha salvação! Encontrava o cachorro, entregava pra dona e pegava a recompensa! Se duvidasse ainda ia sobrar dinheiro. Vou ali na rua tentar pegar uma carona.

Minha sorte parece que estava mudando mesmo. Consegui uma carona de primeira! Opa, tem um cachorro ali que é a cara do Toy.

- Moço, encosta o carro aí!

Desci da caçamba da Pampa e fui ver se era mesmo ele, mas mal consegui olhar para o cachorro. Quem manda ter uma dona tão gata! Vou aproveitar e ver se saio de lá pelo menos com o telefone dela, ou então com uma marca de batom na boca.

- Olá, tudo bem?

- Tudo, visse!

- Você viu algum cachorrinho igual ao seu andando por aí? Sabe o que é, eu sou muito apegado a ele, afinal, o cão é o melhor amigo do homem – até tentei chorar um pouco pra ficar mais dramático, mas o máximo que consegui foi que escorresse uma lágrima.

- Ô, você gosta de animais também? Sou louca por cachorrinhos, visse! Qual o nome do seu?

- Toy!

- Com “Y” ou com “I”?

Que diferença fazia?! Mas quem se importa, tudo pra conseguir algo com ela!

- Com “Y”, a penúltima letra do alfabeto americano!

- “Y” não é a última não?

Por mais que ela fosse bonita, eu precisava mesmo era do cachorro pra poder pegar meu dinheiro! Lá vou eu tentar outra carona.

Opa, um carro parou. Que estranho, tava uma luz tipo um flash de máquina piscando de instante em instante dentro dele. Mas vamos nessa!

- Olá moças – duas mulheres dentro do carro -, posso pegar carona com vocês?

- Pode sim, mas só se for dirigindo, porque nós queremos tirar fotos de nós mesmas aqui no banco de trás. Estamos tentando entrar pro Livro dos Recordes na categoria “Maior número de fotos por quilômetro rodado”.

- Então tá, então.

20 minutos e nada de encontrar o Toy. É, parece que eu ia ter que voltar pra Fortaleza em algum caminhão pau-de-arara ou coisa parecida. Opa, aquilo ali é um poodle!

Começa então uma perseguição implacável pelas ruas de João Pessoa! Quebrei à direita, quebrei à esquerda, fiz o retorno e acelerei! Nunca tinha visto um cachorro correr tão rápido! Mas ele não podia ganhar de um carro. Quando eu estava quase alcançando, um carinha apareceu na minha frente e quase esbarro o carro nele. Essa foi por pouco. Ei, eu conheço essa cabeleira… era o Side!!! Side era o carinha que veio no ônibus comigo.

- E aí cara, beleza? Tu sumiu!

- Pois é, tava atrás de ti, estou com a carteira que tu esqueceu no ônibus.

Agora sim, estava com dinheiro em João Pessoa. Agora ia me divertir.

- Conseguimos!! Conseguimos!! – gritaram as meninas que estavam no carro.

- O quê?

- Entramos para o Livro dos Recordes! Obrigado moço! Tentávamos isso há anos! O que podemos fazer para recompensar?

Bem, eu ainda não tenho hotel pra ficar e uma comida caseira até que caía bem…

“A má FAMA dos ouvidos públicos”

Não é fácil ser famoso, mais difícil é ser anônimo. Espalhados pelo país, milhares de músicos e cantores buscam um espaço ao sol, ou melhor, aos ouvidos do público fanático por CDs e rádios FM's. Em busca da fama vale até raspar o cabelo e imitar o Marcos Valério, aliás, eles (políticos da CPI) adoram aparecer quando bem entendem. Toda essa introdução é para falar de um misto de música, programa de televisão, reality show global e pseudo-busca de ídolos pop. O FAMA, em sua quarta edição, vai ao ar pela TV Globo todos os sábados às 16h e um pouquinho, quando bem quer o Luciano Huck terminar o seu caldeirão.  Após uma seleção entre milhares de cantores de todo o país, 14 selecionados têm a fantástica e dura missão de aparecer no mundo global (uma faca de dois "legumes"). Nesta edição, diferentemente das anteriores, o público tem um maior poder de escolha, podendo mandar quem bem entender para o chamado "paredão", onde a cada semana um cantor (a) se despede da casa.  Quero chamar a atenção, nesta Esmola Musical, para o poder do público. Nos últimos shows do FAMA, os jurados têm estranhado a opção e o gosto do povo. O experiente produtor musical Guto "SEM" Graça Melo, se mostrou espantado dizendo que "todos que julgamos os melhores da semana acabam sendo os selecionados pelo público como os piores", e completou mandando um recadinho para o público: "Gente, vamos votar com consciência, ano que vem é ano eleitoral..." Julgar a música ou qualquer tipo de arte, na visão deste humilde MenDigo que voz fala, é algo quase impossível pelo simples fato da arte estar ligada a diferentes gostos ou contextos. E o contexto nada mais é do que uma desculpa para aceitarmos tudo. Julgar é a atividade que o ser humano faz de melhor (ou pior).  Nesta edição do FAMA, o Ceará entrou com dois participantes: André Cavalcanti e Itauana Ceribelli. Ita, para os íntimos, é minha amiga pessoal. Uma grande atriz de teatro e, com uma voz de timbre raro, para piorar ainda é cantora lírica. Função esta sem grande expressão no Brasil porque continuamos julgando, e pré-julgando. Música erudita ainda é vista no Brasil como algo cansativo, longo, para velhos chatos e riquinhos. Este conceito já vem mudando, a passos lentos, mas está mudando.

Mal julgando, a sociedade fecha os olhos, ou melhor, os ouvidos para a música, para uma audição mais ampla. Acompanho a dedicação de Itauana à música erudita há uns 2 anos, e vejo o quanto sofrível é a vida de um músico erudito. Preconceito musical não deveria existir. Até porque, diferente dos olhos, os ouvidos não tem uma “pálpebra” que se pode fechar na presença de algo que julguemos horrível, feio ou chato. Por este fato não devemos fechar os ouvidos para nenhum tipo de música, sabendo que para cada música há um contexto.

Não pensem que utilizei esta coluna para fazer campanha para minha amiga Itauana Ceribelli, muito embora ela mereça por ser tão batalhadora, senão mais do que todos os outros milhares de músicos anônimos brasileiros. Apenas queria que refletissem que nada é o que parece, e para cada nota tocada há pelo menos dois ouvidos a escutar.

O ruim é que a TV Globo insiste em utilizar o povo como a “voz de Deus”. Por isso, no próximo sábado continuarei juntando minhas moedinhas, fruto do meu suor tocando violão na Praça do Ferreira, para ir até uma Lan House e votar para Itauana ir o mais longe possível em busca da FAMA. Ela merece porque além de ótima cantora é minha amiga. Julgo assim, neste contexto, que a verdadeira amizade é a melhor forma de música para os ouvidos.

PS.: FURO DE REPORTAGEM DO MENDIGO: O Presidente Lula vai lançar um novo programa de TV para competir com o FAMA. Ele juntará os piores deputados e senadores em uma casa e lá eles aprenderão a roubar de maneira afinada. O novo reality show se chamará LAMA. Não “PERDAM” (eu sei que escrevi ortograficamente errado)!

“Penetras Bom de Bico”

“Cadê ele! Cadê ele!” Foi assim que ela entrou na sala, aos gritos. Já tava tudo escuro. O filme já tinha começado há algum tempo e só faltava mesmo aquela garota pra entrar e baldear a sessão.

O filme era Penetras Bom de Bico, uma comédia que tá estourada nos Estados Unidos e que, aliás, é bem divertida. Tá, mas a penetra da história é uma garota chamada Alice. A menina entrou na sala gritando atrás do namorado que foi assistir ao filme sem ela. Quando vi a cena, corri antes que avançasse no pescoço do coitado. Enquanto o cara não sabia onde se esconder, sentei com a moça em uma cadeira distante para acalmá-la.

Deixa eu falar um “poquim” do filme, né? Olha, não ria tanto de uma comédia desde Entrando numa Fria. Sabe aqueles filmes que tu não dá nada por eles e sai feliz da vida. Pra mim esse foi um deles. Pô, e um elenco com Owen Wilson, Vince Vaughn, o sempre bom Christopher Walken, a gatíssima Rachel McAdams (mesma de Diário de Uma Paixão) e o divertidíssimo Will Ferrell vale muito a pena dar uma conferida.

Enredo? Bom, tudo se passa em torno de dois carinhas que adoram ir a casamentos “queixar” a mulherada, aproveitando que elas estão sensíveis graças ao momento. E num é que os caras se dão bem, até que um deles se apaixona de verdade por uma delas. A partir daí o filme passa até a lembrar um pouco o Entrando numa Fria (que também conta com Owen Wilson no elenco), aproveitando o melhor da fórmula que foi tão bem sucedida no filme do Ben Stiller.

Bom, é isso. Penetras Bom de Bico, apesar do nome bem “marromeno”, é uma boa dica pra você dar ótimas risadas. Quer outra boa dica? Não vai pro cinema fazer confusão não, tá? Se for, taco-lhe uma lanterna na cabeça! Não taquei na Alice por que a bichinha tava sensível. Disse até que ia acabar o namoro. Bom, eu como sou um cavalheiro, e não um desses “bons de bico”, dei meu telefone pra ela dar uma ligada sempre que precisar. :-)

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