Poucas coisas no mundo são fenomenais. A pobreza de um MenDigo como eu, um tsunami, um OVNI, um terremoto, um Ronaldo são fenômenos naturais ou até sobrenaturais, assim como a música “Festa no Apê” de Latino. Não estranhem o fato deste assunto fazer parte do meu repertório de temas musicais nada convencionais, mas a verdade é que Latino colocou mais uma música nas paradas de sucesso.
Música? Sim. Podemos, devemos e vamos chamar “Festa no Apê” de música. Sem preconceitos, ou melhor, com conceito. Latino consegue, nesta letra de Gessé Filho que na verdade é uma versão de uma música íbero-hebraica-aramaica-greco-romana ouvida nos remixes dos dj’s, passar um conceito da juventude e da sociedade brasileira atual. Analisando a letra que é decorada, repetida e até certo ponto cantada milhões de vezes desde sua aparição, podemos sentir esse reflexo poético.
“Hoje é festa lá no meu apê / Pode aparecer / Vai rolar bunda lê lê”. O “poeta” que nos fala, entoa o cântico como um anúncio de classificados. E que todos devem aparecer, pois vai rolar “bunda lê lê”. Mas o que seria “bunda lê lê”? Um neologismo. Uma nova palavra. E até onde os meus conhecimentos podem chegar, “bunda lê lê” nada mais é do que uma brincadeira maliciosa onde os participantes abaixam as calças e balançam as nádegas, mais conhecidas como bunda: a paixão nacional.
E por falar em paixão nacional, a bebida alcoólica que tanto bem faz a nossa população, do MenDigo ao presidente da nação, não poderia faltar. No trecho em que a letra diz “Tem birita / Até amanhecer”, a animação está garantida, já que bêbadas, as pessoas conseguem fazer coisas impróprias como afirma outra fatia da música: “No meu quarto tem gente até fazendo orgia”. Ainda falta o machismo clássico que está descaradamente presente quando diz: “Tudo é festa / Pegação / Vou zoar o mulherio”.
Junte tudo isso a uma batida eletrônica marcante, dançante, em um misto de funk carioca com música disco e temos a receita perfeita para o sucesso. Se eu tivesse um celular, certamente colocaria o toque “Festa no Apê” para lembrar que a vida é bela.
O mantra entoado por jovens, adultos, velhos e bebês recém-nascidos prova que nossa sociedade, além de perdida, está pervertida, ou melhor, assumindo a sua perversão. E isto é bom, talvez estejamos deixando de ser hipócritas.
Além disso, a conclusão que chegamos é que eu, este MenDigo que vos fala, continuo morando em baixo do viaduto da Av. 13 de Maio, enquanto o Latino comprou 10 apês onde continua fazendo suas festas e se enchendo de inspiração. Latino, se você está me lendo agora, parabéns!

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