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“Missão impossível II”

Janeiro 4, 2008 · Deixe um comentário

Sexta-feira, 18h. Até que enfim vou fazer minha tão esperada viagem a Jampa (pra mal entendedor, João Pessoa). Me falaram muito bem dessa cidade. Na verdade, só me disseram que lá dá pra fazer um luau na beira do mar sem perigo algum de ser assaltado. Pra mim isso já basta! Saí correndo do trabalho, entrei no Paranjana quase que pela janela, cheguei em casa, comi, tomei banho, peguei a mochila e fui direto para o Terminal Rodoviário de Fortaleza. Bem que eu queria ir de avião, mas sem dinheiro não há verbas!

- Motorista, onde fica o assento 23?

- Ali ao lado daquele rapaz com a mochila na cabeça.

Quando cheguei mais perto vi que o carinha não tava com uma mochila na cabeça, era o cabelo mesmo. E o doido ainda tava de óculos escuros em plena 8h da noite! Mas não tem essa não, comecei a conversar com ele, que se apresentou como Side Show Bob. Devia ser apelido. Então, pra facilitar, vou chamá-lo de Side. O cara era muito gente fina, até me ensinou que no dia que eu quiser dormir e estiver sem sono, basta deitar na cama e ligar a TV no Discovery Channel. É tiro e queda. E foi quando ele ia me ensinar a colocar créditos de graça no celular que o ônibus parou e o motorista saiu. Eita, deve ser assalto!

Começaram aqueles cochichos e murmúrios dentro do ônibus, gente escondendo o celular na cueca e as jóias na calcinha. Lá pelas tantas, cansei de esperar e fui ver o que tava acontecendo. Que assalto que nada! Era o motorista do nosso ônibus que tinha ido ajudar um outro com pneu furado. Ah bom, então assim sim!

Só que acho que o motorista do outro ônibus era torcedor do Fortaleza e o do que eu tava era do Ceará! Putz, o cara demorou que só pra voltar. Deviam bem estar discutindo o título do Campeonato Cearense de 1992, que foi dado pra quatro times.

Até que enfim ele voltou. Para o alto e avante, rumo a João Pessoa!

Quando fui para meu assento, o Side já tava era dormindo e, pasmem, com uma TV portátil na mão. Adivinha o canal?! Isso mesmo!

Já estava quase encontrando uma posição em que conseguisse dormir e o ônibus parou de novo. Dessa vez em um posto de gasolina.

- Que aconteceu seu motorista?

- Deu prego, tá vindo outro ônibus pra pegar vocês.

Ih, já vi que essa viagem ia ser daquelas. Tinha pensado em escrever uma coluna sobre toda a viagem, e tô escrevendo uma só sobre a ida no ônibus. Ué, cadê o Side? Sumiu!

A cidade que a gente tava era Macaíba, a Mississipi brasileira. Terra da criação de ovinos e caprinos em pastos amplos e, por que não, verdejantes. Pelo menos era isso que um caminhoneiro que tinha parado no posto também falou pra gente. Até que enfim o outro ônibus chegou. Ah, o Side apareceu. Pensei que tinha desistido de viajar.

8 minutos! 8 minutos foi o tempo necessário para o nosso novo ônibus, com o mesmo motorista, bater em um carro. Fala sério meu, nunca vi uma viagem tão difícil.

Uma hora depois chegou o outro ônibus, agora com outro motorista, pra levar finalmente a gente pra Jampa. Até consegui cochilar, principalmente quando o Side sumiu de novo. O cara é gente boa, mas ronca muito!

“Bem-vindo a João Pessoa”. É isso aê! O que parecia missão impossível tinha virado missão realizada. Finalmente estava na Rodoviária da Paraíba. Fui me despedir do meu amigo Side, mas cadê que eu encontrava ele? Ô carinha pra desaparecer do nada.

Ah, e vocês não sabem o que aconteceu logo depois… mas isso fica para a próxima coluna…

MORAL DA HISTÓRIA: Se tivesse ido de jegue, eu tinha chegado mais rápido!

Categorias: Causos de um mochileiro · Colunas
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