Bom, antes de mais nada, queria dizer que acabou a greve dos Jornaleiros. Eu continuo a minha…greve de fome! Essa por que tá difícil cair grana na minha mão. Mas besteira, sempre sobra uma pipoquinha no carrinho do Seu Arlindo. Tudo certo!
- Você tá bem? – gritou um transeunte que me viu vagando pelas ruas do centro pedindo esmolas. Para pelo menos fazer algo de útil estava batucando com meu corpo, boca, palmas e pés. Fazendo música.
Às vezes eu passo o tempo fazendo batucada. Você já se pegou fazendo isso? Bater palmas, bater no corpo, com único e expressivo sentido de fazer música, criar. Muito provavelmente, a música surgiu da necessidade de criar e comunicar ao mesmo tempo. Organizar os sons de modo interessante, musical e com técnica é o que faz o grupo paulista “Barbatuques”.
Por incrível que pareça, eu conheci esse grupo quando estudava música em São Paulo. Na ocasião o “Barba” estava ministrando mais uma de suas oficinas. Ele nem deve se lembrar de mim. O mentor e pesquisador Fernando Barboza, vulgo “Barba”, desde 1988 se diverte com suas pesquisas na área de percussão corporal. O que era diversão acabou virando coisa séria. Em 97 Fernando funda o grupo “Barbatuques”, inicialmente apenas com alunos de suas oficinas de percussão corporal. Após tocar em alguns shows de músicos consagrados, o projeto “Barbatuques” ganhou maior rePERCUSSÃO (se é que me entendem).
A última façanha do grupo foi entrar na coletânea “Cartografia Musicall – O Brasil em 9 CDs”, dentro do projeto “Itaú Rumos Cultural”. O projeto promove a música independente, dando mais “volume” aos que tanto produzem e aparecem pouco. Nesta caixa, sete CDs contêm os músicos premiados pelo prêmio “Rumos Música”, enquanto os outros dois são dedicados às audioficções premiadas. Um painel sonoro plural, aliás, singular em sua pluralidade está à sua disposição.
A caixa custa o “miserê” de R$ 149,00. É pouco, perto do sacrifício que fazem os músicos ao criar e produzir, a tapas bordoadas literalmente, uma música fora dos padrões que se está acostumado. Porém, nestes CDs não há nenhum cearense. O coordenador do programa na área musical, Edson Natale, diz “não saber ao certo o motivo, mas houveram poucos inscritos do estado do Ceará”. Fica então mais um alerta: talvez falte fé ou mais loucura aos músicos locais, e nesta crítica me incluo.
Palmas, tapas nas costas, nas coxas, língua fazendo “zuada” no céu da boca, isto não é loucura. É música! Por isso, ao ver alguém na lanchonete ou no ponto de ônibus se batendo você pode diagnosticar duas coisas. Ou ele é um músico ou tem talento para tal profissão, ou então está infestado de muriçocas. Caso verifique a segunda opção, ajude-o. Caso verifique a primeira opção, ajude-o também. Dê um real a ele para que (pro)siga a carreira de músico. Palmas para os “Barbatuques”.

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