Jornaleiros

“Onde está o Toy?”

Janeiro 4, 2008 · Deixe um comentário

Até que enfim voltamos a escrever. Já não aguentava mais essa greve dos Jornaleiros em prol de mais polpa nos copos de suco, menos álcool na gasolina e menos fotossensores pela cidade! Como de costume, não conseguimos nada, mas o Sr. Badaleiro deu um ultimato e voltamos a escrever. Ufa!

Onde eu parei mesmo na outra coluna? Ah, tinha acabado de chegar em João Pessoa. Mas não passa táxi por essa rodoviária não? Até porque eu ainda tenho que ver se tem troco pra 50 reais. Êpa, cadê minha carteira?! Esqueci em um dos 3 ônibus que peguei.

Agora eu era um liso em João Pessoa! Essas coisas costumam acontecer quando a gente menos precisa. Pode ver que quando você vai a uma loja cheio da grana nunca tem a camisa que você realmente quer. Mas quando está somente passeando, sem carteira, a camisa está na vitrine! E quando entra pra reservar:

- Desculpe, mas aquele cliente está comprando nesse exato minuto!

Assim não dá! Assim não pode! Espera aí, que cartaz é aquele na parede? “Procura-se poodle. Atende pelo nome de Toy. Recompensamos!”

Toy era o nome da minha salvação! Encontrava o cachorro, entregava pra dona e pegava a recompensa! Se duvidasse ainda ia sobrar dinheiro. Vou ali na rua tentar pegar uma carona.

Minha sorte parece que estava mudando mesmo. Consegui uma carona de primeira! Opa, tem um cachorro ali que é a cara do Toy.

- Moço, encosta o carro aí!

Desci da caçamba da Pampa e fui ver se era mesmo ele, mas mal consegui olhar para o cachorro. Quem manda ter uma dona tão gata! Vou aproveitar e ver se saio de lá pelo menos com o telefone dela, ou então com uma marca de batom na boca.

- Olá, tudo bem?

- Tudo, visse!

- Você viu algum cachorrinho igual ao seu andando por aí? Sabe o que é, eu sou muito apegado a ele, afinal, o cão é o melhor amigo do homem – até tentei chorar um pouco pra ficar mais dramático, mas o máximo que consegui foi que escorresse uma lágrima.

- Ô, você gosta de animais também? Sou louca por cachorrinhos, visse! Qual o nome do seu?

- Toy!

- Com “Y” ou com “I”?

Que diferença fazia?! Mas quem se importa, tudo pra conseguir algo com ela!

- Com “Y”, a penúltima letra do alfabeto americano!

- “Y” não é a última não?

Por mais que ela fosse bonita, eu precisava mesmo era do cachorro pra poder pegar meu dinheiro! Lá vou eu tentar outra carona.

Opa, um carro parou. Que estranho, tava uma luz tipo um flash de máquina piscando de instante em instante dentro dele. Mas vamos nessa!

- Olá moças – duas mulheres dentro do carro -, posso pegar carona com vocês?

- Pode sim, mas só se for dirigindo, porque nós queremos tirar fotos de nós mesmas aqui no banco de trás. Estamos tentando entrar pro Livro dos Recordes na categoria “Maior número de fotos por quilômetro rodado”.

- Então tá, então.

20 minutos e nada de encontrar o Toy. É, parece que eu ia ter que voltar pra Fortaleza em algum caminhão pau-de-arara ou coisa parecida. Opa, aquilo ali é um poodle!

Começa então uma perseguição implacável pelas ruas de João Pessoa! Quebrei à direita, quebrei à esquerda, fiz o retorno e acelerei! Nunca tinha visto um cachorro correr tão rápido! Mas ele não podia ganhar de um carro. Quando eu estava quase alcançando, um carinha apareceu na minha frente e quase esbarro o carro nele. Essa foi por pouco. Ei, eu conheço essa cabeleira… era o Side!!! Side era o carinha que veio no ônibus comigo.

- E aí cara, beleza? Tu sumiu!

- Pois é, tava atrás de ti, estou com a carteira que tu esqueceu no ônibus.

Agora sim, estava com dinheiro em João Pessoa. Agora ia me divertir.

- Conseguimos!! Conseguimos!! – gritaram as meninas que estavam no carro.

- O quê?

- Entramos para o Livro dos Recordes! Obrigado moço! Tentávamos isso há anos! O que podemos fazer para recompensar?

Bem, eu ainda não tenho hotel pra ficar e uma comida caseira até que caía bem…

Categorias: Causos de um mochileiro · Colunas
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