Jornaleiros

“Quem ajuda volta a pé”

Janeiro 4, 2008 · Deixe um comentário

Que vista. Que sensação. Estava eu em mais um passeio de balão (aqueles que se vêem nos filmes) e ela estava comigo. Linda como sempre. O vento lufava em seus cabelos tornando o momento cada vez mais espetacular. Éramos só nós dois, o balão e o céu a nos testemunhar. E tinha também um pássaro perturbando, tentando furar o balão. Quando finalmente estávamos naquele segundo que antecede o beijo, escuto uma voz ao fundo: “Leeeeo… Leeeeeo… acorda que tu tá atrasado pro trabalho!!!”

Salve salve “pessoas”, eu sou Leo Lacerda e está para começar mais uma coluna Causos de um Mochileiro. Segurem-se nas poltronas, pois essa já é a 2ª Temporada dos Jornaleiros, que promete!

O causo de hoje aconteceu há muito, muito tempo, numa galáxia longínqua, onde as pessoas festejavam a chegada dos guerreiros que iriam trazer alegria ao povo em uma noite de festividades e bebedeiras. É isso mesmo, estou falando de um show do Babado Novo no Beach Park.

Acordei 9h da manhã, comi, assisti um pouco de televisão e meio-dia já estava perto de onde ia rolar a festa, num churrasco pré-show, churrasco este que só tinha cerveja mesmo. 18h já estava dentro do Beach Park, bla bla bla…

O causo começa mesmo ao sair do show. Estávamos eu e mais três amigos, com umas cinco caronas de volta garantidas. Decidimos curtir um pouco mais do pós-show, já que lá no Beach Park costuma acabar cedo e, quando quiséssemos ir embora, era só procurar uma das caronas.

Estava tudo nos conformes, até que o dono da casa onde rolou o “churrasco pré-show” conseguiu atolar o carro. Deixou metade dele num barranco e metade fora desse barranco. Fala sério! O cara não estudou na “Escolinha do Senna”… é nisso que dá!

Nós, sensibilizados com a situação, resolvemos ajudar. Demoramos mais ou menos uma hora para chegar até o carro. Não era longe não, o carinha que atolou é que não sabia onde estava mesmo. Quando finalmente achamos, era hora de trabalhar! Mas ele não ajudava! Ficava choramingando, pensando na burrice que tinha feito e, a cada idéia que a gente tinha pra resolver a situação, já ia logo dizendo que não ia dar certo. Até que todo mundo ficou puto e tirou o carro na marra. Isso mesmo, conseguimos!

Agora ele já podia ir embora, certo? Errado! Quando o cara atolou o carro, teve a brilhante idéia de dar a chave do carro pra um outro carinha que tava por perto, pra tomar conta enquanto ele voltava com os amigos pra desatolar. Agora tinha que esperar o pai trazer a chave reserva.

Tire suas próprias conclusões sobre o parágrafo acima.

O sol já estava raiando e… eita! Perdemos nossas caronas! Ah, mas tava tudo bem, o dono do carro que a gente ajudou a desatolar ia nos levar em casa. Era só falar com ele e… cadê ele? Não é que o cara foi embora e nem disse obrigado!

Só nos restava duas opções: voltar para Fortaleza a pé ou ir para a Prainha (cidade perto do Beach Park, onde tinhamos uma casa para ficar) a pé. De qualquer jeito, as duas eram desagradáveis, mas a escolhida foi a Prainha, pois era mais perto.

Até podia ser mais perto, mas eram oito quilômetros e duas ladeiras!! A maré estava cheia, tivemos que ir pela areia fofa, o sol mais forte do que nunca e nós já estávamos há um dia sem dormir e sem comer. Acabamos andando os oito quilômetros e, depois de um caldo de peixe e água de coco, subimos as duas ladeiras.

Chegando na casa, dormimos no sofá, pois a casa estava lotada, e comemos Nissin Miojo. O Miojo era até cremoso, mas o tempero era “sabor legumes”, arriégua!

Moral da história: Quando for comprar Miojo, preste bem atenção no tempero! Ah, e sempre que for ajudar um bêbado, faça ele assinar um contrato dizendo que vai te deixar em casa.

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