Arquivo para a categoria 'Causos de um mochileiro'

Viaja mais!

Eu vi na TV e não acreditei. Aí olhei na internet e acreditei! Velhinhos: comemorem!!! Vocês agora podem viajar pelo país pagando meia!

Avisem aos seu avós e tatatatataravós: quem tiver mais do que 60 anos, ou seja aposentado ou pensionista, tem direito a viajar pelo país pagando a metade do valor de tabela cheia! Essa foi uma boa iniciativa do Governo para fortalecer a inclusão social do idoso. Até porque quando se está velho, o grande lance é viajar e se divertir, já que trabalhou tanto na vida, não é?

Enfim, essa notícia mostra que quando eu estiver com 60 anos vou escrever mais colunas do que o normal! Mais informações no site Viaja Mais!

Valeu!

Mochileiro.

“O universo paralelo do top-less”

O bom de estar em João Pessoa, além das praias tranqüilas, povo hospitaleiro, mulheres bonitas, lindas, totalmente excelentes… me esqueci o que eu tava falando… ah, o bom de estar em João Pessoa é que você está perto de muito canto bacana, tipo Recife, Olinda, Campina Grande, Natal e Pipa!

Peguei minha mochila e fui pra estrada: pedir carona! Éramos eu, o Side, e as duas loucas (Ina e Ina) que não paravam de tirar fotos. Pra variar um pouco, ninguém parava pra dar carona, quando de repente, não mais que de repente, eis que pára o último ônibus que eu esperaria parar: o “cambão” do Mastruz com Leite! Na verdade, eles pararam pra pedir informação, mas quando ouviram eu falando “arriégua”, me reconheceram logo como cearense. Aí já viu né, nós, cearenses, embuídos em nosso plano de dominar o mundo, nos ajudamos em qualquer circunstância. Entramos no ônibus, que estava lotado por sinal, e fomos rumo à Pipa!

- Ônibus lotado, hein?

- É mesmo! E olha que aqui é só o ônibus dos vocalistas, ainda tem o dos músicos, o dos dançarinos e o dos produtores.

- Só isso?!

- É, a gente demitiu metade da banda semana passada.

(Eu estava sendo sarcástico na última pergunta).

Até que enfim chegamos em Pipa! Não pela beleza do lugar, é que eu não agüentava mais aquela mulher cantando “Oh meu vaqueiro meu peão… conquistou meu coração.. uô uô…”.

Que vista! A gente tava em cima de um paredão, vendo aquele marzão azul! O mar cheio de pedras. Gostei de lá, apesar de ter um monte de praia cearense igualzinha! E foi olhando aquele marzão que filosofei: “Triste daquele que nunca viu o mar… mais triste ainda quem nunca viu aquela mulher fazendo “top-less” que desapareceu atrás de um paredão de pedras!!!” O que era aquilo?! Será que era uma espécie de universo paralelo onde todas as mulheres fazem “top-less”?! Eu tinha que descobrir.

As duas “Inas” ficaram lá na praia que a gente tava enquanto eu e o Side fomos atrás desse universo paralelo do “top-less”. Elas já estavam de olho em outro recorde: maior número de fotos pegando “jacaré” na mesma onda, uma coisa assim. Vai entender!

Eu e o Side escalamos pedras, descemos outras, fomos um pouco pelo mar e não chegávamos nesse “universo paralelo blá-blá-blá”. Mas foi quando pegamos carona com golfinhos neo-zelandêzes que passavam por ali que conseguimos chegar no maravilhoso, esplendoroso, ímpar “Universo Paralelo do Top-less”. Parece até nome de filme. Mas o que importa é que estávamos lá, vendo toda aquela paisagem.

A gente tava escondido atrás de uma pedra, vendo tudo, até que de repente todas as mulheres vieram correndo em nossa direção, todas rindo, felizes, era minha hora! Eu e o Side fomos na direção delas de braços abertos. Pela nossas contas, cada um abraçava umas 5 de uma só vez e estávamos conversados. Tava tudo correndo bem, pelo menos até um carinha lá gritar:

- CORTA!!! Quem são esses idiotas no meu “set” de filmagem?!?!?!

É, foi um dia e tanto! Conhecemos a galera do filme, fizemos amizade com todo mundo. O diretor até mudou o nome do filme, que era “SOS Pipa: As Salva-vidas Sem Biquini” para “O Universo Paralelo do Top-less”. Inclusive, eu e o Side aparecemos em uma parte do filme. Se tiver interessado (a) em ver, basta ir na locadora mais próxima e procurar na seção “Ficção” ou “Comédia Romântica”.

Moral da história: Se as meninas (as duas “Inas”) tivessem ido com a gente pro “universo paralelo blá-blá-blá”, eu tinha tirado fotos na máquina delas e colocado aqui na coluna pra vocês verem! Vão ter que alugar o filme!

Nota: Foi mal galera!

“Onde está o Toy?”

Até que enfim voltamos a escrever. Já não aguentava mais essa greve dos Jornaleiros em prol de mais polpa nos copos de suco, menos álcool na gasolina e menos fotossensores pela cidade! Como de costume, não conseguimos nada, mas o Sr. Badaleiro deu um ultimato e voltamos a escrever. Ufa!

Onde eu parei mesmo na outra coluna? Ah, tinha acabado de chegar em João Pessoa. Mas não passa táxi por essa rodoviária não? Até porque eu ainda tenho que ver se tem troco pra 50 reais. Êpa, cadê minha carteira?! Esqueci em um dos 3 ônibus que peguei.

Agora eu era um liso em João Pessoa! Essas coisas costumam acontecer quando a gente menos precisa. Pode ver que quando você vai a uma loja cheio da grana nunca tem a camisa que você realmente quer. Mas quando está somente passeando, sem carteira, a camisa está na vitrine! E quando entra pra reservar:

- Desculpe, mas aquele cliente está comprando nesse exato minuto!

Assim não dá! Assim não pode! Espera aí, que cartaz é aquele na parede? “Procura-se poodle. Atende pelo nome de Toy. Recompensamos!”

Toy era o nome da minha salvação! Encontrava o cachorro, entregava pra dona e pegava a recompensa! Se duvidasse ainda ia sobrar dinheiro. Vou ali na rua tentar pegar uma carona.

Minha sorte parece que estava mudando mesmo. Consegui uma carona de primeira! Opa, tem um cachorro ali que é a cara do Toy.

- Moço, encosta o carro aí!

Desci da caçamba da Pampa e fui ver se era mesmo ele, mas mal consegui olhar para o cachorro. Quem manda ter uma dona tão gata! Vou aproveitar e ver se saio de lá pelo menos com o telefone dela, ou então com uma marca de batom na boca.

- Olá, tudo bem?

- Tudo, visse!

- Você viu algum cachorrinho igual ao seu andando por aí? Sabe o que é, eu sou muito apegado a ele, afinal, o cão é o melhor amigo do homem – até tentei chorar um pouco pra ficar mais dramático, mas o máximo que consegui foi que escorresse uma lágrima.

- Ô, você gosta de animais também? Sou louca por cachorrinhos, visse! Qual o nome do seu?

- Toy!

- Com “Y” ou com “I”?

Que diferença fazia?! Mas quem se importa, tudo pra conseguir algo com ela!

- Com “Y”, a penúltima letra do alfabeto americano!

- “Y” não é a última não?

Por mais que ela fosse bonita, eu precisava mesmo era do cachorro pra poder pegar meu dinheiro! Lá vou eu tentar outra carona.

Opa, um carro parou. Que estranho, tava uma luz tipo um flash de máquina piscando de instante em instante dentro dele. Mas vamos nessa!

- Olá moças – duas mulheres dentro do carro -, posso pegar carona com vocês?

- Pode sim, mas só se for dirigindo, porque nós queremos tirar fotos de nós mesmas aqui no banco de trás. Estamos tentando entrar pro Livro dos Recordes na categoria “Maior número de fotos por quilômetro rodado”.

- Então tá, então.

20 minutos e nada de encontrar o Toy. É, parece que eu ia ter que voltar pra Fortaleza em algum caminhão pau-de-arara ou coisa parecida. Opa, aquilo ali é um poodle!

Começa então uma perseguição implacável pelas ruas de João Pessoa! Quebrei à direita, quebrei à esquerda, fiz o retorno e acelerei! Nunca tinha visto um cachorro correr tão rápido! Mas ele não podia ganhar de um carro. Quando eu estava quase alcançando, um carinha apareceu na minha frente e quase esbarro o carro nele. Essa foi por pouco. Ei, eu conheço essa cabeleira… era o Side!!! Side era o carinha que veio no ônibus comigo.

- E aí cara, beleza? Tu sumiu!

- Pois é, tava atrás de ti, estou com a carteira que tu esqueceu no ônibus.

Agora sim, estava com dinheiro em João Pessoa. Agora ia me divertir.

- Conseguimos!! Conseguimos!! – gritaram as meninas que estavam no carro.

- O quê?

- Entramos para o Livro dos Recordes! Obrigado moço! Tentávamos isso há anos! O que podemos fazer para recompensar?

Bem, eu ainda não tenho hotel pra ficar e uma comida caseira até que caía bem…

“Missão impossível II”

Sexta-feira, 18h. Até que enfim vou fazer minha tão esperada viagem a Jampa (pra mal entendedor, João Pessoa). Me falaram muito bem dessa cidade. Na verdade, só me disseram que lá dá pra fazer um luau na beira do mar sem perigo algum de ser assaltado. Pra mim isso já basta! Saí correndo do trabalho, entrei no Paranjana quase que pela janela, cheguei em casa, comi, tomei banho, peguei a mochila e fui direto para o Terminal Rodoviário de Fortaleza. Bem que eu queria ir de avião, mas sem dinheiro não há verbas!

- Motorista, onde fica o assento 23?

- Ali ao lado daquele rapaz com a mochila na cabeça.

Quando cheguei mais perto vi que o carinha não tava com uma mochila na cabeça, era o cabelo mesmo. E o doido ainda tava de óculos escuros em plena 8h da noite! Mas não tem essa não, comecei a conversar com ele, que se apresentou como Side Show Bob. Devia ser apelido. Então, pra facilitar, vou chamá-lo de Side. O cara era muito gente fina, até me ensinou que no dia que eu quiser dormir e estiver sem sono, basta deitar na cama e ligar a TV no Discovery Channel. É tiro e queda. E foi quando ele ia me ensinar a colocar créditos de graça no celular que o ônibus parou e o motorista saiu. Eita, deve ser assalto!

Começaram aqueles cochichos e murmúrios dentro do ônibus, gente escondendo o celular na cueca e as jóias na calcinha. Lá pelas tantas, cansei de esperar e fui ver o que tava acontecendo. Que assalto que nada! Era o motorista do nosso ônibus que tinha ido ajudar um outro com pneu furado. Ah bom, então assim sim!

Só que acho que o motorista do outro ônibus era torcedor do Fortaleza e o do que eu tava era do Ceará! Putz, o cara demorou que só pra voltar. Deviam bem estar discutindo o título do Campeonato Cearense de 1992, que foi dado pra quatro times.

Até que enfim ele voltou. Para o alto e avante, rumo a João Pessoa!

Quando fui para meu assento, o Side já tava era dormindo e, pasmem, com uma TV portátil na mão. Adivinha o canal?! Isso mesmo!

Já estava quase encontrando uma posição em que conseguisse dormir e o ônibus parou de novo. Dessa vez em um posto de gasolina.

- Que aconteceu seu motorista?

- Deu prego, tá vindo outro ônibus pra pegar vocês.

Ih, já vi que essa viagem ia ser daquelas. Tinha pensado em escrever uma coluna sobre toda a viagem, e tô escrevendo uma só sobre a ida no ônibus. Ué, cadê o Side? Sumiu!

A cidade que a gente tava era Macaíba, a Mississipi brasileira. Terra da criação de ovinos e caprinos em pastos amplos e, por que não, verdejantes. Pelo menos era isso que um caminhoneiro que tinha parado no posto também falou pra gente. Até que enfim o outro ônibus chegou. Ah, o Side apareceu. Pensei que tinha desistido de viajar.

8 minutos! 8 minutos foi o tempo necessário para o nosso novo ônibus, com o mesmo motorista, bater em um carro. Fala sério meu, nunca vi uma viagem tão difícil.

Uma hora depois chegou o outro ônibus, agora com outro motorista, pra levar finalmente a gente pra Jampa. Até consegui cochilar, principalmente quando o Side sumiu de novo. O cara é gente boa, mas ronca muito!

“Bem-vindo a João Pessoa”. É isso aê! O que parecia missão impossível tinha virado missão realizada. Finalmente estava na Rodoviária da Paraíba. Fui me despedir do meu amigo Side, mas cadê que eu encontrava ele? Ô carinha pra desaparecer do nada.

Ah, e vocês não sabem o que aconteceu logo depois… mas isso fica para a próxima coluna…

MORAL DA HISTÓRIA: Se tivesse ido de jegue, eu tinha chegado mais rápido!

“Quem ajuda volta a pé”

Que vista. Que sensação. Estava eu em mais um passeio de balão (aqueles que se vêem nos filmes) e ela estava comigo. Linda como sempre. O vento lufava em seus cabelos tornando o momento cada vez mais espetacular. Éramos só nós dois, o balão e o céu a nos testemunhar. E tinha também um pássaro perturbando, tentando furar o balão. Quando finalmente estávamos naquele segundo que antecede o beijo, escuto uma voz ao fundo: “Leeeeo… Leeeeeo… acorda que tu tá atrasado pro trabalho!!!”

Salve salve “pessoas”, eu sou Leo Lacerda e está para começar mais uma coluna Causos de um Mochileiro. Segurem-se nas poltronas, pois essa já é a 2ª Temporada dos Jornaleiros, que promete!

O causo de hoje aconteceu há muito, muito tempo, numa galáxia longínqua, onde as pessoas festejavam a chegada dos guerreiros que iriam trazer alegria ao povo em uma noite de festividades e bebedeiras. É isso mesmo, estou falando de um show do Babado Novo no Beach Park.

Acordei 9h da manhã, comi, assisti um pouco de televisão e meio-dia já estava perto de onde ia rolar a festa, num churrasco pré-show, churrasco este que só tinha cerveja mesmo. 18h já estava dentro do Beach Park, bla bla bla…

O causo começa mesmo ao sair do show. Estávamos eu e mais três amigos, com umas cinco caronas de volta garantidas. Decidimos curtir um pouco mais do pós-show, já que lá no Beach Park costuma acabar cedo e, quando quiséssemos ir embora, era só procurar uma das caronas.

Estava tudo nos conformes, até que o dono da casa onde rolou o “churrasco pré-show” conseguiu atolar o carro. Deixou metade dele num barranco e metade fora desse barranco. Fala sério! O cara não estudou na “Escolinha do Senna”… é nisso que dá!

Nós, sensibilizados com a situação, resolvemos ajudar. Demoramos mais ou menos uma hora para chegar até o carro. Não era longe não, o carinha que atolou é que não sabia onde estava mesmo. Quando finalmente achamos, era hora de trabalhar! Mas ele não ajudava! Ficava choramingando, pensando na burrice que tinha feito e, a cada idéia que a gente tinha pra resolver a situação, já ia logo dizendo que não ia dar certo. Até que todo mundo ficou puto e tirou o carro na marra. Isso mesmo, conseguimos!

Agora ele já podia ir embora, certo? Errado! Quando o cara atolou o carro, teve a brilhante idéia de dar a chave do carro pra um outro carinha que tava por perto, pra tomar conta enquanto ele voltava com os amigos pra desatolar. Agora tinha que esperar o pai trazer a chave reserva.

Tire suas próprias conclusões sobre o parágrafo acima.

O sol já estava raiando e… eita! Perdemos nossas caronas! Ah, mas tava tudo bem, o dono do carro que a gente ajudou a desatolar ia nos levar em casa. Era só falar com ele e… cadê ele? Não é que o cara foi embora e nem disse obrigado!

Só nos restava duas opções: voltar para Fortaleza a pé ou ir para a Prainha (cidade perto do Beach Park, onde tinhamos uma casa para ficar) a pé. De qualquer jeito, as duas eram desagradáveis, mas a escolhida foi a Prainha, pois era mais perto.

Até podia ser mais perto, mas eram oito quilômetros e duas ladeiras!! A maré estava cheia, tivemos que ir pela areia fofa, o sol mais forte do que nunca e nós já estávamos há um dia sem dormir e sem comer. Acabamos andando os oito quilômetros e, depois de um caldo de peixe e água de coco, subimos as duas ladeiras.

Chegando na casa, dormimos no sofá, pois a casa estava lotada, e comemos Nissin Miojo. O Miojo era até cremoso, mas o tempero era “sabor legumes”, arriégua!

Moral da história: Quando for comprar Miojo, preste bem atenção no tempero! Ah, e sempre que for ajudar um bêbado, faça ele assinar um contrato dizendo que vai te deixar em casa.

“Carnaval é carnaval, e vice e versa”

Confete, serpentina, boneco do Bob Esponja… é, acho que não falta mais nada para o Carnaval. O “Causos de um Mochileiro” de hoje é especial: primeira coluna feita diretamente do Ceará! Agora nem posso dizer que estava sem fazer nada e me ligaram pra ir não sei aonde… é Carnaval! Planejei o ano todo para essa festa, que, pra mim, é a melhor de todas! E dessa vez, fui ao Presídio.

E por falar em todas, foram tantas histórias, tantos fatos, tantos causos, que não vou poder colocar tudo aqui, afinal de contas poderia comprometer muita gente, e como os Jornaleiros estão ficando famosos, podem rolar processos em cima de gente, essas coisas.

E por falar em gente, pense em um Carnaval lotado! Na verdade, eu não fiquei no Presídio. Eu estava hospedado em uma casa no Iguape, que por sinal era uma bela de uma casa. Muita comida, bebida e banheiro. Quem ficou em uma casa com 40 pessoas e 1 banheiro sabe do que estou falando.

E por falar em banheiro, ainda era sexta-feira, estava acabando de escovar os dentes para ir à “pracinha do Iguape”. Pô, vou confessar um negócio: pense em um lugar mais ou menos, mais pra menos. Mas quem se importa?! Era Carnaval! A ida valeu a pena quando eu vi um carinha lá, no alto de seus quarenta anos, bêbado, com um rifle na mão. Tinha um boneco gigante, um pneu de caminhão, uma camisa do Br’oz e uma maçã. Mas o cara queria acertar um palito de fósforos. Fala sério!

E por falar em acertar, não é que o cara acertou! Tá certo que eu quase dormi durante as horas que ele ficou mirando, mas ele acertou. E acertou de novo! Uma vez é sorte, duas vezes já tenho que admitir que o cara é profissional. Quando ele ia completar a trilogia dos palitos, os amigos vieram pegá-lo pra voltar pra casa. É uma pena, ele tinha apostado a conta do barzinho nesse tiro e, sinceramente, ele ia acertar!

E por falar em acertar, eu e meus amigos quase mochileiros que estavam indo comigo ao Presídio não acertamos a hora de ir do Iguape pra lá. Pegamos a Barra do Iguape cheia. A Barra é uma lagoa que tem lá que se encontra com o mar. Mas, é Carnaval! Fomos por um caminho mais raso, ou menos cheio. Mas chegou um ponto que o jeito foi nadar. Gustavo Borges perdia feio pros nadadores que estavam por lá, afinal de contas, Carnaval é melhor do que medalha olímpica! Acho que estou exagerando, ou não?

E por falar em exagerar, cara, que lagoa exageradamente suja! Saí de lá todo me coçando, cheio de alergia. Corri pro Hotel Don’Ana (olha o merchandising aí gente, isso é que é coluna celebridade) pra tomar um banho. Mas como assim? Tomar banho pra ir ao “mela-mela”? É que sou um cara asseado. O que importa é que o “mela-mela” foi show!

E por falar em show, o Bloco lá do Presídio deu um show… de desorganização! Aquele esquema de corda separando, a galera com a camisa do Bloco e a galera sem é muito ruim! É Carnaval, cadê a democracia? A galera só queria se divertir. Pô, e o que eram aqueles seguranças empurrando todo mundo? A rua é pública, ô seus manés! Olha o lance que eu vi: tinham três carinhas encostados em um carro: um fraquinho, outro magrinho e outro um forte e nervoso:

-       Desencosta do carro – o segurança, logo após empurrar,  falou pro carinha (o forte e nervoso).

-       Esse carro é meu, ô seu ‘pííííí’!

-       Mas desencosta que a corda vai fechar aqui – o mané mandou o carinha desencostar do carro, pois a corda ia passar por lá, arranhando o carro, como fez com todos os outros.

-       Quero ver é tu vir sozinho! Tu fala assim porque tá cheio de segurança aí contigo!!!

-       …

E por falar em segurança, ele, com medo, foi pra dentro do bloco, beeem longe! Fora esses problemas, teve muita coisa legal. Rolaram altas RAVES por lá. Acho que minha próxima aventura vai ser em uma festa dessas. Vou ter muita história pra contar. Mas deixa pra depois, ainda estamos no Carnaval!!! Bem, rolou de tudo um pouco: briga por causa de ex-namoradas e namorados, namoros terminando, namoros começando, gente se dando bem, gente se dando mal, só não falo nos alcoólatras, “chamadas de hugos”, porque isso já está subentendido.

E por falar em alcoólatra, cara, no último dia eu decidi ficar até de manhã, pra poder voltar a pé pro Iguape. Lá pelas 5h, quando a polícia já tinha até passado lá pra ver se alguém tava dormindo no quintal de outro alguém, essas coisas de Carnaval, tinha um carinha, cabeludo, com um cinto com um cantil e uma garrafinha, dormindo na calçada. Cena típica de um Carnaval! Esse aproveitou hein?! Só achei estranho os amigos dele colocando lixo do lado dele, sacanagem!

E por falar em lixo, ainda atravessei a Barra do Iguape de novo. Mas tudo bem, Carnaval foi muito bom. Apesar das ruas todas escuras, e de terem arrancado o braço do meu boneco do Bob Esponja, foi maneiro. Agora deixa eu ir que vou ver Big Brother, sou apaixonado por uma tal Marcela de lá…

Moral da História: E por falar em apaixonado… gostou da coluna? Fui eu que fiz!

“Dia do tudo, tudo errado!”

Bom dia pra quem é do dia, boa noite pra quem é da noite! Está no ar, ou no mar, ou na terra, a coluna “causos de um mochileiro”. Começo a coluna de hoje com uma boa notícia, pelo menos para mim: consegui transferência para Fortaleza! O nosso chefe, dos Jornaleiros, me transferiu para Fortal. A Próxima coluna eu já escrevo em solo cearense. Mas, as boas notícias acabam por aqui, afinal, o título já diz tudo: tudo errado!

Estava eu em mais um sono, acho q no 13º, quando acordo subitamente e olho para o relógio: 7:55h! 8:00 tenho que estar no trabalho! É, tenho que trabalhar pra sobreviver aqui. Os Jornaleiros não pagam tão bem assim, e afinal, preciso do meu porsche. Então é isso, fazendo as contas, são 5 minutos pra me arrumar, comer e chegar ao trabalho, ou seja, pular dentro duma calça, engolir o que tiver na geladeira e usar toda a velocidade do meu porsche.

Bem, não deu tempo de comer. Me vesti e fui em direção ao carro, que por sinal, estava com o pneu furado. Ninguém merece! Esqueça chegar no horário. Lá vou eu trocar o pneu.

Feito o serviço, piso fundo rumo ao trabalho. Chegar atrasado uma vez não vai atrapalhar toda uma carreira brilhante. Além do que, minha chefe é muito gente fina, por causa de 30 minutos não vai reclamar. Isso seria fazer tempestade em copo d’água. Tô tranqüilo.

Sinal vermelho. Pô, por que sempre que estamos atrasados o sinal tá vermelho? Parece que é combinado. Um carinha que fica escondido por ali, controlando o sinal, nota que você ta apressado e fecha o sinal. Ou então simplesmente pra ficar admirando meu carro, afinal, não é todo dia que se vê um porsche por aí.

Tudo bem, um sinal vermelho dá pra agüentar, agora dois?! Segundo sinal, segundo sinal vermelho. Ia ser um dia daqueles. Só faltava bater o carro pra me atrasar mais. Pra que que eu fui falar?

-          Puxa moço, desculpa. Foi sem querer, vi o sinal fechado e tentei frear, mas não consegui.

-          É, eu to vendo, minha senhora! E acabou com a traseira do meu porsche! Como é que a senhora não conseguiu frear?!

-          Eu fiquei na dúvida se o pedal do freio era o do meio ou o da esquerda.

-          Nem vendendo esse seu Fiat 147 vai dar pra pagar o estrago no meu carro!!!

-          Mas eu tenho um filho que é muito rico, ele vai lhe pagar.

-          Menos mal!

10h e nada da perícia chegar. Se fosse embora, ia perder o direito de reclamar e ficar com todo o prejuízo. Putz, meu carro zerinho. Olha, tem uma padaria ali! Ainda não comi hoje. Vou lá e volto já.

-          Moça: me dá aquele sanduíche de pão carioquinha, queijo e presunto, por favor.

-          Sim senhor, são R$5,00

Droga! Esqueci minha carteira em casa! Ainda bem que tinha um caixa 24h do meu banco dentro da padaria. Tirava o dinheiro e pagava a comida, mais fácil impossível. Coloque seu cartão. Retire seu cartão. Digite quanto quer sacar. Digite sua senha. Esta máquina não possui mais cédulas, aguarde manutenção!

Por quê as coisas não dão errado um pouquinho todo dia? Tem sempre que dar tudo errado em um dia! Era uma forma de aliviar. Cada dia uma coisinha de errado. Aí era tranqüilo. Mas as coisas erradas acontecem em um só dia, e parece que aquele era o dia!

Só me resta voltar ao carro e ver se a perícia já chegou. Adeus café da manhã. Teria de me conformar com o almoço da empresa. Mas, espera aí! Cadê a velhinha que bateu no meu porsche?!

10:30h, tava com fome, carro batido, prejuízo todo pra mim e ainda atrasado pro trabalho.

Cheguei às 10:40h, mas as portas estavam todas fechadas. Nenhum dos carros dos meus colegas de trabalho estava lá. Muito estranho isso, será que todos resolveram ir no carro ‘3 portas’ (uma pra entrar, outra pra sair e uma especialmente para o terminal)?

Bato na porta e ninguém responde. Até que o segurança passa por ali e me vê.

-          Bom dia sr. Leonardo. Isso é que é um rapaz trabalhador! Vindo trabalhar até no domingo…

Moral da História: “Sempre haverá um dia como esse em sua vida. Só lhe resta: olhar o calendário ao acordar, fazer o café na noite do dia anterior e nunca acreditar em uma velhinha com cara de boazinha.”

“Luau sem lua”

“Adeus ano velho… feliz ano novo… que tudo se realize… no ano que vai nascer… muito dinheiro no bolso… pois a gasolina já passou dos R$2,10!” É com essa trágica notícia que começo esta coluna, a primeira do ano, a primeira coluna da 2ª temporada dos Jornaleiros! Parece até que foi ontem, lembro da coluna sobre o Wanderley Andrade, Matrix, Maria Rita… só ‘colunassa’! Mas é claro, somos os Jornaleiros! Se os outros copiam eu não sei, mas o que importa é que estamos na 2ª temporada! Pode aplaudir…

Antes de mais nada, gostaria de lembrar meu nome: Leo Lacerda, o mochileiro de plantão, que com uma mochila nas costas e uma idéia na cabeça, sai por aí presenciando fatos do dia-a-dia e, depois de toda a aventura, senta em frente a um computador, em um ‘cyber-café’ qualquer, e manda as histórias, ou causos, como preferirem.

Dessa vez o nosso ‘causo’ é divertido: é festa! Ano novo, vida nova, novas perspectivas, 2ª temporada dos Jornaleiros! (prometo que vou tentar parar de falar isso) Bem, onde me meti agora? Em nenhum canto especial, apenas em casa de conhecidos. Tudo normal: churrasquinho no terraço, piscina ao lado, sambinha de fundo. Tudo rolava tranqüilo, comida boa, um tal de pato no tucupi! Delícia! Nada como provar da culinária regional. Só pra lembrar: estou em período de exílio, aqui em Manaus.

Corria tudo nos conformes, até que chegaram com um ‘DvdOkê’ lá pela churrascada. Eu fiquei de longe, só observando como o pessoal ia se comportar. “Vou choraaaaar… desculpe mas eu vou chorarrrr… não ligue se eu não te ligarrrrr…” Começa o jogo! It’s showtime! Começa a cantoria! Show de calouros ao vivo e a cores, não posso perder essa. Nota 95. Pô, o carinha cantou ruim que só, e ainda tirou 95. Dizem que pra tirar nota boa é só gritar… tenho lá minhas dúvidas, mas que dizem, dizem!

“De noooite… eu rondo a cidaaaade… a te procurarrr… mas você não estááá….” Nóóóssa! Sessão nostalgia! “Ronda” cara, do tempo que minha avó usava ‘ceroula’. Nota 70. Mas ela cantou tão bem! Acho que não gritou o suficiente.

O engraçado é que depois de umas 5 latinhas de cerveja, os carinhas se sentem um Ed Mota, Tim Maia, e outros grandes cantores. Chegam até a pedir camarim, querer dar autógrafo na camisa da gente…

- ‘Sai fora’! Isso é uma faca, e não uma caneta! Tá me cortando, pô!

Ah, mas quem nunca cantou em DvdOkê ou KaraOkê? É legal, até eu dei uma palhinha, mediante cachê, é claro!

Papo vai, papo vem, música vai, música vem, enjoaram do DvdOkê e passaram para a sessão luau. Aí é minha praia! Peguei o violão e começamos: “Sexo verbal… não faz meu estilo… palavras são erros… e os erros são seus…” Pô, não dá pra imaginar um luau sem ‘Legião Urbana’ no repertório, não é? “Conversar… combinar… um futuro que ainda não exiiiste…” Um luau sem uma balada da ‘The Book is on the Table Band’ também não é um luau completo!

Um detalhe interessante era que ninguém tava vendo a lua, mas, quem se importa? Arrocha um Capital Inicial, Geraldo Azevedo, Kid Abelha, Paulinho Moska, Simoninha, Skank, Jota Quest. Eita luau show de bola! Não é na areia da praia, é no terraço. Não tem lua, muito menos sol. Mas o que vale é a intenção.

Meu dia acabou assim, cantando e tocando para a lua, que sequer apareceu. Será que sou tão desafinado assim pra lua fugir de mim? Eu já estava me achando um ‘Seresteiro de Acapulco’. A galera até que saiu de lá agradecendo, mas deram um nome estranho: ‘Inimigos do Ritmo”… vai entender…!

Quem sabe, quando eu voltar do meu exílio, eu não promova um luau na beira do mar, lua cheia, como manda o figurino? É uma boa! Se meus amigos Jornaleiros ajudarem, eu topo! Mas isso fica pra quando eu voltar! Um abraço pra vocês, e qualquer semelhança com seres da vida real é mera coincidência, ou não.

Moral da História: Quem sabe, sabe; quem não sabe, apela pro DvdOkê; sem esquecer de gritar, pra tirar uma nota boa.

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