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“salve, salve aos deuses e aos ORISHAS”

Orishas - boa pedida para ouvir!

Orishas - boa pedida para ouvir!

O que você sabe sobre Cuba?

Se você, assim como alguns amigos norte-americanos que ainda insistem em dizer que a capital do Brasil é Buenos Aires e que por aqui as cobras e jacarés andam pelas ruas, então, você é um daqueles que pensa que em Cuba só tem Fidel Castro(que Che Guevarra o tenha),  A melhor Universidade de Cinema do Mundo e excelentes Charutos. Fique feliz, pois musicalmente você pode ter uma boa referência de Cuba. Estou falando do som de ORISHAS.

O trio se formou na França. Por incrível que pareça, Yotuel, Roldan e Ruzzo se conheceram em Paris e a partir daí estouraram para o mundo. Com o primeiro álbum em 1999 chamado “A Lo Cubano”, ORISHAS foi muio bem recebido pela crítica e pelo público. Em 2001 o grupo ganhou o Grammy Latino de melhor de Hip Hop. Você pode até pensar que nunca ouviu ORISHAS, por isso coloquei um video de uma música que com certeza vocês conhecem. Caso contrário, siga o conselho dos deuses e orixás e visite o site da banda (http://www.orishasthebest.com/)

O mais recente álbum deles chama “Cosita Buena”. Ouça!!!

Mendigo.

“Música Natalina: o U2 e as coisas melhorando”

Música natalina é sempre um assunto polêmico. Não é à toa que a coluna “Esmola Musical” que escrevi em dezembro de 2005 é uma das mais acessadas em nosso blog. Por incrível que pareça, durante todo o ano, as pessoas pesquisam palavras-chave como “Pinheirinhos que alegria”, ou “Simone então é natal”, ou “Jingle Bells”.

Entra ano e saí ano, e as músicas no natal continuam as mesmas. Simone “bombando” nossos ouvidos com “Então é natal…”, e olha que a culpa nem é dela. Ela apenas gravou, acho que os gerentes de lojas e grandes magazines tem muito mais responsabilidades sobre esta “overdose” de músicas chatas de natal.

Mas é claro, há exceções! E neste ano de 2008, meu troféu “Música Natalina” vai para a banda U2. Sempre conectada com ações beneficentes inteligentes eles, mais uma vez, acertaram com uma música já consagrada. Trata-se da regravação de “I Believe In Father Christmas“. A canção, composta por Greg Lake, do grupo Emerson, Lake & Palmer, em 1974, apesar da intenção do autor em protestar contra o comércio intenso do período natalino, tornou-se um hit.

“Bono canta com sua banda, o U2, em mais uma de suas ações para arrecadar dinheiro para a luta contra a aids, tuberculose e malária em países pobres, em campanha liderada pelo site (RED)WIRE, uma loja online e uma espécie de revista musical engajada na luta contra doenças que assolam o continente africano. O dinheiro obtido vai para o The Global Fund, uma instituição financeira internacional que atua na arrecadação de fundos para erradicação de aids, tuberculose e malária na África.”  (Fonte: Agência O Estado)

Então para salvar nosso natal e o de muita gente acesse o site www.redwire.com e faça o natal ter sentido e, principalmente, boa música!

Mendigo.

“Sim, eu já fui para um forró”

“Vamo sim bora, pra um bar, beber, cair levantar”. Assim diz a máxima de uma das letras de forró que mais toca em fortaleza e, por incrível que pareça, vivenciei uma experência incrível nesta última sexta-feira. Não fui abduzido ou recebi um espírito qualquer. Eu fui para um forró ! ! !

Eu estava sem ter o que fazer, caminhando pelas ruas da cidade e mendingando, como sempre. Quando achei no chão uma cortesia para o Kangalha, uma casa de forró da cidade. Eu não estava em um dos meus melhores trajes mas resolvi arriscar. Afinal, há mais de 9 anos como MenDigo e músico e nunca havia ido a um show de forró.

Não sou nenhum “Rei do Cabaré”, mas confesso que ao adentrar no Kangalha me senti um pouco deslocado a princípio. Cheguei totalmente fora do fuso horário dos forrozeiros, às 21hs. O lugar estava vazio, os garçons jogando conversa fora e os seguranças gigantes já estavam com aquela cara fechada. Para tentar me enturmar pedi uma dose de wisky com redbull. O tempo foi passando, a primeira banda abriu o show tocando para o nada, pois a galera estava chegando aos poucos. E os mais variados tipos começaram a aparecer. Desde as “forrozeiras paty” até aos casais pop com cara de o que estamos fazendo aqui. Tinha até os mauricinhos que para os desavisados poderiam estar em uma reunião de negócios tamanha a arrumação.

Tudo muito tranquilo até a meia-noite. E como num passe de mágica estilo conto de fadas, a carruagem se transforma em abóbora, as “forrozeiras paty” em dançarinas e os “mauricinhos” em desmantelados. Traduzindo, bebo cego se divertindo que nem doido. O mais tímido da turma é capaz de falar até com o vocalista da banda.

Enquanto o “Baleia” rasgava na Locução chamando a próxima banda, aproveitei para ir até o banheiro. Tropecei em um cara que estava bêbado no meio do caminho. Quando saí achei que havia voltado no tempo. Estava ouvindo a mesma música que estava tocando no inicio da festa, mas percebi que a banda tinha mudado, mas a música não.

Um fenômeno muito interessante no mundo do forró é o desapego à autoria musical, uma vez que todo mundo toca música de todo mundo em prol da diversão maior. Até porque lá pelas 2 da manhã a negada não sabe mais se é a Solteirões, Os casadões ou os Divorciadões do forró. O importante é “raparigar”.

Saí de la pelas 3 da madrugada, fui a pé até o terminal. E descobri muitas coisas sobre o forró nesta nova aventura e criei uma pequena lista de dicas para você que quer se transformar em forrozeiro:

- Chegue na festa é sempre à meia-noite
- Faça “as base” em um posto de gasolina, ou melhor na frente de um posto de gasolina já que não se pode mais vender e consumir bebida dentro do posto, segundo a nova lei.
- Use roupas leves o suficiente para não ficar colada no corpo depois de tanto dançar
- Levante a mão com um copo de bebida alcoólica a cada início de música
- Vá solteiro, ou leve a mulher. Em caso de estar namorando leve-à para não ficar só. Em caso de ela ir para um forró só, leve seu chifre para lustrar.
- Lembre-se forrozeiro tem o Fígado Total Flex

E o principal: forrozeiro que é forrozeiro nunca curte totalmente a festa em que está. Parte desta atenção se dedica em propagar e chamar os amigos para próxima festa.

E se você não sabe dançar, não se preocupe. O lance é ter 99% de entrosamento e 1% de descuido. Vou nessa, limpar minha audição ouvindo Choppin ou Bach.

Ah! Sexta que vêm “tamo nóis” de novo, “bebu e cego”, igual um “galo” no Kangalha!!! Não se esqueça: Se for dirigir não beba, mas se for beber me chame. Enquanto isso, vai treinando. Assista a vídeo-aula exclusiva dos JORNALEIROS com o professor Jenival. Se você fizer igual a ele vai arrasar…

Mendigo.

“Então é Natal… de novo!”

“Então é Natal, a festa cristã, o velho e o novo…” Aliás, novo é o que não há no Natal, ainda mais quando a área analisada é a música natalina. Não há época do ano em que os clichês mais se repetem por um “espírito natalino” piegas, pois só é lembrado no Natal, quando na verdade deveria ser lembrado o ano todo. Mas se assim fosse, não seria “espírito natalino”.

Então, me lembro daquele velho vinil (é o novo) do vovô. Na capa, várias bolas de colocar nas árvores de natal e um velho graveto de pinheiro solto entre elas. No conteúdo do velho LP estavam as mesmas músicas que hoje povoam as propagandas de lojas de eletrodomésticos, roupas e produtos que podem ser parcelados até o próximo Natal.

É verdade que essas músicas só tocam nesta época. E ainda bem. Não há quem agüente mais do que 1 mês ouvindo. “Noite Feliz”, “Jiggle Bells” e “Pinheirinhos” são os hits que todo dezembro comandam as paradas de sucesso. Mas se você pensa que não há algo pior está enganado. Muito pior do que ser um pacato cidadão é ser coralista. Os cantores de coral em dezembro só faltam entrar em pane total e procurar um psiquiatra. As canções de Mozart, Bach e Villa-Lobos dão lugar a músicas que dizem “Pinheirinhos, que alegria, tra lá lá lá lá lá lá lá lá / Sinos tocam, noite e dia, tra lá lá lá lá lá lá lá lá”. É como se todo um levantamento de repertório durante o ano perdesse o valor. Não é à toa que muitos corais têm o seu contingente diminuído significativamente depois do Natal.

A versão da música de Elton John, gravada pela cantora Simone, é realmente uma das mais estranhas. Por outro lado, sua melodia cumpre a função, gruda no ouvido como chiclete e quando você menos percebe já está cantarolando.

Há uns 3 anos, Ivan Lins apareceu com uma inovação que em 3 dias ficou tão enjoativa quanto as outras, porque tocou demais. A música tinha uma levada latina, meio salsa cantada em espanhol, e dizia “Feliz Natividad”, ou seja, “E um feliz Natal” … “e um ano novo também” … Ahhhh!! Tá vendo, já estou eu cantarolando a versão da Simone.

Isso quer dizer que nenhum artista inova na época de Natal? Não é verdade. A cantora Diana Krall lançou em dezembro o álbum “Christmas Songs”, com 12 hits de natalinos. Com arranjos jazzísticos, Diana Krall e seu fantástico time de músicos fez o que parecia impossível: deixar as canções de Natal com um tom suave e agradável. Conclusão, o CD está vendendo mais do que brinquedinho de amigo secreto de 1,99. Dizem até que o Papai Noel está pirateando os CDs para suprir os pedidos de cartinhas que recebe dizendo: “PAPAI NOEL! POR FAVOR, ME DÊ O CD DA DIANA KRALL, PORQUE EU NÃO AGUENTO MAIS A SIMONE!”

“Então é Natal” e nesta época devemos comprar presentes, devemos mesmo, e como devemos. É muita dívida. Portanto, uma boa dica de presente é um CD da Diana Krall, que custa hoje R$ 45. Se você não tiver esse dinheiro todo, faça como eu. Recorra as prateleiras de cds do Extra! Tem Chico Buarque por R$ 9,99.

Se você agüentou o meu desabafo até aqui, parabéns! Tenha um Feliz Natal, mas prometa a si mesmo que dia 31 de dezembro você não vai cantar “Adeus ano velho / feliz ano novo / que tudo se realize / no ano que vai nascer / muito dinheiro no bolso / saúde pra dar e vender…”

Nota: Esta matéria era para ter sido veiculada no mês de dezembro, mas como o Leo estava em Pipa-RN e as matérias têm que ser enviadas juntas, não foi possível. Valeu Leo!

“Música no tapa”

Bom, antes de mais nada, queria dizer que acabou a greve dos Jornaleiros. Eu continuo a minha…greve de fome! Essa por que tá difícil cair grana na minha mão. Mas besteira, sempre sobra uma pipoquinha no carrinho do Seu Arlindo. Tudo certo!

- Você tá bem? – gritou um transeunte que me viu vagando pelas ruas do centro pedindo esmolas. Para pelo menos fazer algo de útil estava batucando com meu corpo, boca, palmas e pés. Fazendo música.

Às vezes eu passo o tempo fazendo batucada. Você já se pegou fazendo isso? Bater palmas, bater no corpo, com único e expressivo sentido de fazer música, criar. Muito provavelmente, a música surgiu da necessidade de criar e comunicar ao mesmo tempo. Organizar os sons de modo interessante, musical e com técnica é o que faz o grupo paulista “Barbatuques”.

Por incrível que pareça, eu conheci esse grupo quando estudava música em São Paulo. Na ocasião o “Barba” estava ministrando mais uma de suas oficinas. Ele nem deve se lembrar de mim. O mentor e pesquisador Fernando Barboza, vulgo “Barba”, desde 1988 se diverte com suas pesquisas na área de percussão corporal. O que era diversão acabou virando coisa séria. Em 97 Fernando funda o grupo “Barbatuques”, inicialmente apenas com alunos de suas oficinas de percussão corporal. Após tocar em alguns shows de músicos consagrados, o projeto “Barbatuques” ganhou maior rePERCUSSÃO (se é que me entendem).

A última façanha do grupo foi entrar na coletânea “Cartografia Musicall – O Brasil em 9 CDs”, dentro do projeto “Itaú Rumos Cultural”. O projeto promove a música independente, dando mais “volume” aos que tanto produzem e aparecem pouco. Nesta caixa, sete CDs contêm os músicos premiados pelo prêmio “Rumos Música”, enquanto os outros dois são dedicados às audioficções premiadas. Um painel sonoro plural, aliás, singular em sua pluralidade está à sua disposição.

A caixa custa o “miserê” de R$ 149,00. É pouco, perto do sacrifício que fazem os músicos ao criar e produzir, a tapas bordoadas literalmente, uma música fora dos padrões que se está acostumado. Porém, nestes CDs não há nenhum cearense. O coordenador do programa na área musical, Edson Natale, diz “não saber ao certo o motivo, mas houveram poucos inscritos do estado do Ceará”. Fica então mais um alerta: talvez falte fé ou mais loucura aos músicos locais, e nesta crítica me incluo.

Palmas, tapas nas costas, nas coxas, língua fazendo “zuada” no céu da boca, isto não é loucura. É música! Por isso, ao ver alguém na lanchonete ou no ponto de ônibus se batendo você pode diagnosticar duas coisas. Ou ele é um músico ou tem talento para tal profissão, ou então está infestado de muriçocas. Caso verifique a segunda opção, ajude-o. Caso verifique a primeira opção, ajude-o também. Dê um real a ele para que (pro)siga a carreira de músico. Palmas para os “Barbatuques”.

“A má FAMA dos ouvidos públicos”

Não é fácil ser famoso, mais difícil é ser anônimo. Espalhados pelo país, milhares de músicos e cantores buscam um espaço ao sol, ou melhor, aos ouvidos do público fanático por CDs e rádios FM's. Em busca da fama vale até raspar o cabelo e imitar o Marcos Valério, aliás, eles (políticos da CPI) adoram aparecer quando bem entendem. Toda essa introdução é para falar de um misto de música, programa de televisão, reality show global e pseudo-busca de ídolos pop. O FAMA, em sua quarta edição, vai ao ar pela TV Globo todos os sábados às 16h e um pouquinho, quando bem quer o Luciano Huck terminar o seu caldeirão.  Após uma seleção entre milhares de cantores de todo o país, 14 selecionados têm a fantástica e dura missão de aparecer no mundo global (uma faca de dois "legumes"). Nesta edição, diferentemente das anteriores, o público tem um maior poder de escolha, podendo mandar quem bem entender para o chamado "paredão", onde a cada semana um cantor (a) se despede da casa.  Quero chamar a atenção, nesta Esmola Musical, para o poder do público. Nos últimos shows do FAMA, os jurados têm estranhado a opção e o gosto do povo. O experiente produtor musical Guto "SEM" Graça Melo, se mostrou espantado dizendo que "todos que julgamos os melhores da semana acabam sendo os selecionados pelo público como os piores", e completou mandando um recadinho para o público: "Gente, vamos votar com consciência, ano que vem é ano eleitoral..." Julgar a música ou qualquer tipo de arte, na visão deste humilde MenDigo que voz fala, é algo quase impossível pelo simples fato da arte estar ligada a diferentes gostos ou contextos. E o contexto nada mais é do que uma desculpa para aceitarmos tudo. Julgar é a atividade que o ser humano faz de melhor (ou pior).  Nesta edição do FAMA, o Ceará entrou com dois participantes: André Cavalcanti e Itauana Ceribelli. Ita, para os íntimos, é minha amiga pessoal. Uma grande atriz de teatro e, com uma voz de timbre raro, para piorar ainda é cantora lírica. Função esta sem grande expressão no Brasil porque continuamos julgando, e pré-julgando. Música erudita ainda é vista no Brasil como algo cansativo, longo, para velhos chatos e riquinhos. Este conceito já vem mudando, a passos lentos, mas está mudando.

Mal julgando, a sociedade fecha os olhos, ou melhor, os ouvidos para a música, para uma audição mais ampla. Acompanho a dedicação de Itauana à música erudita há uns 2 anos, e vejo o quanto sofrível é a vida de um músico erudito. Preconceito musical não deveria existir. Até porque, diferente dos olhos, os ouvidos não tem uma “pálpebra” que se pode fechar na presença de algo que julguemos horrível, feio ou chato. Por este fato não devemos fechar os ouvidos para nenhum tipo de música, sabendo que para cada música há um contexto.

Não pensem que utilizei esta coluna para fazer campanha para minha amiga Itauana Ceribelli, muito embora ela mereça por ser tão batalhadora, senão mais do que todos os outros milhares de músicos anônimos brasileiros. Apenas queria que refletissem que nada é o que parece, e para cada nota tocada há pelo menos dois ouvidos a escutar.

O ruim é que a TV Globo insiste em utilizar o povo como a “voz de Deus”. Por isso, no próximo sábado continuarei juntando minhas moedinhas, fruto do meu suor tocando violão na Praça do Ferreira, para ir até uma Lan House e votar para Itauana ir o mais longe possível em busca da FAMA. Ela merece porque além de ótima cantora é minha amiga. Julgo assim, neste contexto, que a verdadeira amizade é a melhor forma de música para os ouvidos.

PS.: FURO DE REPORTAGEM DO MENDIGO: O Presidente Lula vai lançar um novo programa de TV para competir com o FAMA. Ele juntará os piores deputados e senadores em uma casa e lá eles aprenderão a roubar de maneira afinada. O novo reality show se chamará LAMA. Não “PERDAM” (eu sei que escrevi ortograficamente errado)!

“Fenômeno Festa no Apê”

Poucas coisas no mundo são fenomenais. A pobreza de um MenDigo como eu, um tsunami, um OVNI, um terremoto, um Ronaldo são fenômenos naturais ou até sobrenaturais, assim como a música “Festa no Apê” de Latino. Não estranhem o fato deste assunto fazer parte do meu repertório de temas musicais nada convencionais, mas a verdade é que Latino colocou mais uma música nas paradas de sucesso.

Música? Sim. Podemos, devemos e vamos chamar “Festa no Apê” de música. Sem preconceitos, ou melhor, com conceito. Latino consegue, nesta letra de Gessé Filho que na verdade é uma versão de uma música íbero-hebraica-aramaica-greco-romana ouvida nos remixes dos dj’s, passar um conceito da juventude e da sociedade brasileira atual. Analisando a letra que é decorada, repetida e até certo ponto cantada milhões de vezes desde sua aparição, podemos sentir esse reflexo poético.

“Hoje é festa lá no meu apê / Pode aparecer / Vai rolar bunda lê lê”. O “poeta” que nos fala, entoa o cântico como um anúncio de classificados. E que todos devem aparecer, pois vai rolar “bunda lê lê”. Mas o que seria “bunda lê lê”? Um neologismo. Uma nova palavra. E até onde os meus conhecimentos podem chegar, “bunda lê lê” nada mais é do que uma brincadeira maliciosa onde os participantes abaixam as calças e balançam as nádegas, mais conhecidas como bunda: a paixão nacional.

E por falar em paixão nacional, a bebida alcoólica que tanto bem faz a nossa população, do MenDigo ao presidente da nação, não poderia faltar. No trecho em que a letra diz “Tem birita / Até amanhecer”, a animação está garantida, já que bêbadas, as pessoas conseguem fazer coisas impróprias como afirma outra fatia da música: “No meu quarto tem gente até fazendo orgia”. Ainda falta o machismo clássico que está descaradamente presente quando diz: “Tudo é festa / Pegação / Vou zoar o mulherio”.

Junte tudo isso a uma batida eletrônica marcante, dançante, em um misto de funk carioca com música disco e temos a receita perfeita para o sucesso. Se eu tivesse um celular, certamente colocaria o toque “Festa no Apê” para lembrar que a vida é bela.

O mantra entoado por jovens, adultos, velhos e bebês recém-nascidos prova que nossa sociedade, além de perdida, está pervertida, ou melhor, assumindo a sua perversão. E isto é bom, talvez estejamos deixando de ser hipócritas.

Além disso, a conclusão que chegamos é que eu, este MenDigo que vos fala, continuo morando em baixo do viaduto da Av. 13 de Maio, enquanto o Latino comprou 10 apês onde continua fazendo suas festas e se enchendo de inspiração. Latino, se você está me lendo agora, parabéns!

“Trilha do carnaval: pode ser bom, pode ser mau”

“OLHA A BRINCADEIRA DA TOMADA…” Desculpem a nossa falha…

Queridos leitores foliões, como foram de Carnaval? … Bem, se vocês estão lendo esta Esmola Musical, isso prova que todos voltaram vivos, não morreram nas estradas e muito menos estão tomando glicose no HGF.

Para uns o Carnaval é apenas mais um feriadão, “hiper-prolongado”, e que só serve para o povo esquecer que passa fome e que é miserável. Eu não esqueci disso não. Isso pode até ser, de certa forma, uma verdade. Agora, apesar de todas as opiniões, uma coisa é certa e isso ninguém pode negar: “Carnaval é Cultura”. “OLHA A BRINCADEIRA DA TOMADA…CHEGA PRA CÁ NA BRINCADEIRA DA TOMADA…” Desculpem novamente, é que essa música é uma praga!!

Continuando… estou hoje, nesse “glorioso espaço dos JORNALEIROS”, para comentar sobre algo que pode causar doenças caso seja utilizado em doses erradas, ou caso o usuário seja alérgico. Estou falando da Trilha Sonora do Carnaval.

Nesse aspecto, o estado do Ceará deveria ser alvo de estudos sociológicos. Por exemplo, em Guaramiranga e Aratuba rolou o já tradicional Festival de Jazz & Blues. Com uma programação recheada de boas bandas, atrações nacionais e internacionais. O violonista Heraldo Monte (PE), o acordeon de Renato Borgethi (RS) e Sérgio Duarte (SP) estiveram presentes. A atração internacional do Wihout Words (CAN) roubou a cena. Um trio de mulheres que, como o próprio nome já diz, faz música instrumental e ‘sem palavras’ abalou as estruturas dos ouvintes com belos arranjos e improvisos sensíveis. Outro destaque foi a presença do pianista e arranjador Gilson Peranzzetta (SP), que já tocou e gravou com meio mundo da MPB.

Enquanto isso acontecia por lá, no litoral cearense de Morro Branco, Presídio, Iguape e Caponga a coisa era diferente. O território era dominado por um mela-mela descomunal. Tanta gente precisando de comida e o povo tacando farinha, ovo, água… já dava pra preparar um bolo. Como se isso não bastasse, a música ambiente era o mais alto possível, onde as bandas de axé e pagode se degladiavam com o funk dos paredões de som dos marmanjos, que tentavam incessantemente conquistar as “tchutchucas”.

“E PLUGA A MÃO DIREITA, PLUGA A MÃO ESQUERDA” … Bom, já deu pra adivinhar qual foi a música que mais impregnou no Carnaval, não é?

Bons tempos em que o povo cantava os Sambas-Enredo das escolas do Rio de Janeiro, pelo menos a música era boa. Nesse ano de 2004, os sambas foram muito criativos melodicamente, fato que, na minha humilde opinião, não vinha acontecendo desde 2000. Algumas escolas preferiram utilizar sambas antigos e tradicionais. A Império Serrano fez isso, levantou a avenida, mas na originalidade nota Zero. Quem se deu bem foi a Beija-Flor, um samba lindo falando sobre as águas…Em São Paulo a campeã foi a Mocidade Alegre.

Eu fiquei por aqui mesmo, vagando, mendigando, mas feliz… fui até a Av. Domingos Olímpio. Cheguei na hora em que os Maracatus estavam desfilando. É tão lindo… Tem gente que nem dá valor, mas os Maracatus do Ceará são tradicionais, preservam nossa cultura e folclore. Só por isso devemos tirar o chapéu.

O importante no Carnaval é usar esses dias de ócio pra fazer o que der na telha, ouvir jazz, funk, axé, maracatu, samba e muita alegria. Agora, previna-se sempre, porque dependendo do seu gosto musical deve-se usar camisinha e fones de ouvido. “ENCAIXA, ENCAIXA, ENCAIXA, ENCAIXA, ENCAIXA, ENCAIXA, REMEXE E AGACHA”

Entendeu??

Hey!! Quem pegou meus fones de ouvido??

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